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  <title>Contraste | Deutsche Welle</title>
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  <description>O programa “Contraste” aborda assuntos de política e direitos humanos, questões de desenvolvimento e meio ambiente, com destaque para a Alemanha e os países lusófonos Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Brasil, Portugal e Timor-Leste. Escute os “features” e as entrevistas de fundo da Deutsche Welle, Voz da Alemanha: mais informação de fundo em dez minutos.</description>
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  <copyright>2012 DW-WORLD.DE, Deutsche Welle</copyright>
  <pubDate>Sun, 12 Feb 2012 17:57:05 GMT</pubDate>
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   <title>Contraste | Deutsche Welle</title>
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   <title>Quénia quer ampliar acesso da população rural à internet</title>
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   <description>Localidade de Ukunda, no sul do Quénia, tenta facilitar o acesso da população à internet, por meio de um &quot;quiosque rural&quot; da rede mundial de computadores. Saiba quais são os efeitos para as pessoas no local.
	 O acesso às novas tecnologias de informação não é para todos. Sobretudo nas áreas rurais do continente africano, a internet é ainda uma miragem. E isso aumenta as diferenças culturais e económicas entre cidadãos.

	O abismo digital

	Muitas vezes, os grupos socais ficam divididos entre aqueles com e aqueles sem acesso à internet - fenómeno que em inglês se chama &quot;digital gap&quot;, ou seja &quot;fenda digital&quot;.

	 Neste Contraste, damos-lhe um exemplo de como uma pequena cidade costeira no Quénia – a cidade de Ukunda – tenta facilitar o acesso das populações à internet, diminuindo-se assim as diferenças digitais que separam as pequenas cidades de província da grande capital. Trata-se duma iniciativa da organização não governamental &quot;Voice of Diani&quot;.

	Um trabalho jornalístico, elaborado em regime de coprodução por Julia Kuckelkorn, da DW, e Josephat Kioko, da Rádio Baraka FM, na pequena cidade de Ukunda. Adaptação e apresentação de António Cascais.

	Autor: António Cascais
	Edição: Renate Krieger</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Quênia, Ukundu, Internet Café, Cybercafé, Cibercafé, Acesso Internet, Rural, África</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 10 Feb 2012 16:02:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mali quer aumentar produção de arroz para depender menos do exterior</title>
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   <description>Mas tardam os efeitos de uma iniciativa para estimular a produção nacional. O arroz é o alimento mais importante no Mali, um dos países mais pobres do mundo. Cultura do grão é difícil por clima e deterioração dos solos.
	Para estimular a produção de arroz num dos países mais pobres do mundo, o ministério da Agricultura do Mali iniciou um projeto denominado &quot;iniciativa arroz&quot;, que beneficia os produtores do grão em toda a região de Bélédougou, no centro do país.

	 O projeto consiste na construção de barragens para a captação de água para a rega, e também na construção de estradas para que as colheitas possam ser escoadas nos mercados das aldeias e cidades da região. O objetivo é aumentar consideravelmente a segurança alimentar no Mali, fazendo crescer as colheitas e reduzindo a dependência de importações do estrangeiro.

	Porém, os efeitos esperados da iniciativa tardam a aparecer, como mostra a reportagem realizada pela DW e pela Radio Benkan, do Mali.

	Um Contraste apresentado por António Cascais.

	Autores: Nicole Scherschun / Maimouna Coulibaly / Breima Koné / António Cascais
	Edição: Renate Krieger</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Malí, arroz, desenvolvimento, cooperação</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 10 Feb 2012 15:48:00 GMT</pubDate>
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   <title>Uma família, uma árvore</title>
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   <description>Terrenos férteis para a produção de biocombustíveis? Pobres condições de armazenamento de produtos? Na Nigéria, um homem procura soluções contra a fome, apostando na agricultura familiar sustentável.
	Já lá vão 25 anos desde que o nigeriano Olatunji Akomolafe deu início ao VPP, o Village Pioneer Project, ou em português, o Projeto Rural Pioneiro, um centro de formação de um tipo de agricultura inédito no seu país.
	
	Akomolafe aposta num tipo de agricultura em que os conhecimentos dos antepassados são relembrados e aplicados com métodos modernos de cultivo ecológico. A partir da sua ideia desenvolveu-se uma quinta de produtos biológicos com um jardim de aprendizagem, um curral e uma criação de coelhos.
	
	 Ao todo, contam-se já mais de 2.600 jovens que passaram pela sua orientação. Receberam formação e agora são agricultores, criadores de animais, ferreiros, tecelões, fiandeiros.
	
	Com cerca de 156 milhões de habitantes, a Nigéria é o país mais populoso de África. Cerca de dois terços da população ativa estão empregados no setor agrícola. Mas ainda hoje muitos nigerianos vivem abaixo da linha de pobreza. Só a muito custo o país consegue alimentar os seus habitantes com os seus próprios meios. Para esta dificuldade contribuem o êxodo rural e a fuga de cérebros – e é contra isso que Olatunji Akomolafe luta com o seu Projeto Rural Pioneiro.
	
	Uma co-produção da Kano State Radio, da Nigéria, e da Deutsche Welle, apresentada por Marta Barroso.
	
	Autores: Jamilu Sani / Adamu Ibrahim Dabo / Stefanie Duckstein / Marta Barroso
	Edição: António Rocha / Renate Krieger</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>África; Nigéria; agricultura sustentável; árvore; VPP; Village Pioneer Project; Projeto Rural Pioneiro</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 10 Feb 2012 13:53:00 GMT</pubDate>
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   <title>No inferno chamado Europa</title>
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   <description>Tanto a polícia como ONGs constatam que muitas nigerianas são forçadas a prostituir-se na Europa. Os seus exploradores recorrem a rituais voodoo para as pressionar. O tema é abordado no documentário de um alemão. 
	É em apartamentos de morada desconhecida que a organização de ajuda a mulheres em perigo, Solwodi, acolhe jovens africanas obrigadas a prostituir-se na Alemanha. É nesses apartamentos que as jovens se protegem de abusos sexuais, ameaças e violência.
	
	 Muitas delas vêm para a Europa na esperança de encontrar trabalho e uma vida melhor. Antes de partirem, muitas são obrigadas a entregar objetos pessoais como fotografias ou mesmo pedaços de cabelo, unhas e sangue a um sacerdote voodoo.
	
	Uma vez na Europa, uma alcoviteira retira os documentos às jovens e instala-as num bordel. Por alegadas despesas que criaram, as meninas são obrigadas a trabalhar até cobrirem 40.000 a 60.000 euros.
	
	Este problema tem vindo a preocupar não só as autoridades, mas também organizações não governamentais na Alemanha. E este é também o tema do documentário „Sisters of no mercy“ do realizador alemão Lukas Roegler.
	
	Autoras: Andrea Grunau/Beatrice Weiskircher/Marta Barroso
	Edição: António Rocha</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Nigéria, Solwodi, Lukas Roegler, prostituição, Europa</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 3 Feb 2012 16:16:00 GMT</pubDate>
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   <title>O longo caminho - abusos nas escolas da Tanzânia</title>
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   <description>Na Tanzânia, mais de 8.000 meninas por ano têm de abandonar a escola por engravidarem. Esta é a razão mais frequente de abandono da escola neste país da costa leste de África. Muitos professores são os pais das crianças.
	É por muitas vezes não saberem como funciona o próprio corpo, devido à pressão social e à desigualdade de direitos entre mulheres e homens que muitas meninas engravidam cedo. Há ainda outro fator que leva a tantos casos de gravidez precoce na Tanzânia, mas deste pouco se fala: no país, os professores são frequentemente os pais dos filhos das alunas.
	
	Um estudo da organização não governamental Plan International conclui que, na maioria das vezes, não são as meninas que decidem ter relações sexuais sem proteção. O mesmo estudo conclui ainda que o problema de gravidez indesejada é mais frequente nas áreas mais pobres.
	
	De acordo com a organização de defesa dos direitos das mulheres &quot;Tanzania Media Women Association&quot;, um sanduíche ou uma limonada são suficientes para aliciar as adolescentes. Isto, porque, muitas vezes, as meninas saem de casa de manhã sem tomar o pequeno-almoço e têm de percorrer 15 km até chegar à escola. À tarde, têm de percorrer os mesmos 15 km de regresso a casa. Em princípio, também na escola essas meninas não comem nada.
	
	 Normalmente, é no caminho da escola que as meninas são assediadas. Muitas vezes, os atacantes oferecem-lhes uma boleia de mota ou bicicleta. E depois esperam uma recompensa. Mas muitas vezes o perigo não acaba na escola. Isto porque, em vários casos, são os próprios professores que engravidam as meninas. A &quot;Tanzania Media Women Association&quot; diz que, por vezes, os professores abusam do poder que têm e ameaçam as alunas.
	
	As autoridades tanzanianas asseguram que, através de campanhas de informação e sensibilização, as famílias já estão mais abertas a cooperar com as instituições do estado para assegurar que os criminosos sejam penalizados. Contudo, dizem as organizações da sociedade civil, só raramente os professores são punidos pelos seus atos.
	
	Autores: Jan-Philipp Scholz/Marta Barroso
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Tanzânia, Tansania, Esther, gravidez precoce, meninas, África, Abuso sexual</itunes:keywords>
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   <pubDate>Mon, 16 Jan 2012 13:16:00 GMT</pubDate>
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   <title>Nem tudo tem de ser a negro para os cegos: dois projetos na Índia e Nepal mostram como</title>
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   <description>No Contraste desta semana vamos ouvir duas reportagens, uma na Índia outra no Nepal, sobre cegos: a sua luta diária, o modo como ultrapassaram o estigma e a sua luta por uma vida digna. 

	Em todo o mundo existem milhares de projetos de ajuda para os cegos. Ensinam a usar computadores ou mesmo a conduzir automóveis. Mas, dificilmente uma organização de cegos vai tão longe como o Instituto Internacional para Empreendedores Sociais em Kerala, no sul da Índia. Aqui, os cegos aprendem simplesmente a forma de mudar o mundo. Saiba mais sobre o instituto, ouvindo a reportagem de Adrienne Woltersdorf.

	 Na segunda reportagem deste Contraste, vamos ao Nepal. O país foi flagelado durante uma década por uma sangrenta guerra civil. Hoje, o Nepal tem de superar os graves problemas económicos, o que faz com o apoio a cegos não conste da agenda. Muitos cegos são tão pobres, que vivem nas ruas mendigando. Muito poucos conseguem conquistar um lugar na universidade. Oportunidades de emprego para as pessoas cegas são raros. Uma reportagem de Isha Bhatia.

	Esta edição do Contraste dedicada aos cegos é apresentada por Helena de Gouveia.

	Autora: Helena de Gouveia
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Cegos, Índia, Cego, Nepal, empreendedores sociais, Kerala, empreendedorismo social</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 6 Jan 2012 19:08:00 GMT</pubDate>
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   <title>Namíbia: os &quot;bosquímanos&quot; do povo San - entre a tradição e a modernidade</title>
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   <description>Reformas administrativas no parque de Nyae Nyae, no nordeste da Namíbia, deverão melhorar as condições de vida dos San ou &quot;homens dos bosques&quot;.
	 Neste &quot;Contraste&quot; falamos-lhe dum povo africano com uma história ancestral: o povo San, um povo que pertence aos assim denominados &quot;bosquímanos&quot;, ou homens dos bosques, que vivem no sul da África há pelo menos 100 mil anos. Muitos cientistas afirmam mesmo, que está provado e comprovado, que a humanidade descende precisamente deste povo.

	Os San tem vindo a queixar-se de perseguição cultural e opressão económica por parte dos governos, tanto da Namibia como do Botswana, Estados que hoje administram os territórios históricos dos San. Uma das areas ainda hoje ocupadas por membros deste povo é o Parque Nacional de &quot;Nyae Nyae&quot;, no nordeste da Namíbia, onde vivem 2.500 pessoas, numa area de cerca de 9.000 metros quadrados.

	Uma reportagem elaborada por Susanne Henn e Jochen Berends – em regime de co-produção entre a radiodifusão namibiana NBC a Deutsche Welle. Apresentação é de António Cascais.

	Autor: António Cascais
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Namíbia, San, Parque Nacional Nyae Nyae, bosquímanos, bosquímano</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 6 Jan 2012 19:02:00 GMT</pubDate>
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   <title>Euro comemora dez anos de vida no dia 1 de janeiro de 2012</title>
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   <description>Mais de trezentos milhões de pessoas em 17 países usam o euro. O que parecia ser uma história de sucesso tem vindo a ser questionado nos últimos meses e há mesmo quem ponha em causa a moeda única tal como a conhecemos.
	Há uma década, no dia 1 de Janeiro de 2002, as notas e moedas de euro foram introduzidas em 12 Estados-membros da União Europeia. Foi um desafio logístico sem precedentes, mas decorreu com êxito. No espaço de poucos dias estavam em circulação milhares de milhões de notas e moedas de euro. Rapidamente se tornou no símbolo da Europa e na segunda moeda de reserva e de comércio internacional a seguir ao dólar. Mas a história de sucesso foi abalada pela crise da dívida e há mesmo quem acredite que o euro irá implodir. 2012 será decisivo para o futuro da moeda única.

	 Com o início da circulação do euro na Europa começou uma nova era. “Estou convencido que graças ao Euro e aos valores comuns que ele personifica a Europa é agora mais forte do que nunca seria sem o sonho de um euro bem sucedido”, disse na altura Wim Duisenberg, presidente do Banco Central Europeu.

	O caminho para a moeda única foi longo e cheio de riscos e desafios. A 9 de Setembro de 1929, o alemão Gustav Stresemann perguntava à Sociedade das Nações “onde está a moeda europeia, o selo de correio europeu de que precisamos?”.

	Seis semanas mais tarde, em 25 de Outubro de 1929, a bolsa de Nova Iorque vive a sua “Sexta-feira Negra”: começa a crise económica mundial que provoca graves perturbações económicas a nível mundial, leva ao encerramento de empresas e a uma taxa de desemprego sem precedentes. Seria o prólogo da Segunda Guerra mundial.

	Após o final da guerra iniciou-se o processo de integração europeia como forma de assegurar a paz no continente europeu.

	
	 Do Plano Werner a Maastricht

	Na década de setenta o Plano Werner define os passos para a União Económica e Monetária, cujo objectivo final consiste em alcançar a liberalização total dos movimentos de capitais, a convertibilidade total das moedas dos Estados-Membros e a fixação irrevogável das taxas de câmbio.

	O relatório prevê, em seguida, a adopção de uma moeda única europeia como uma possível finalidade do processo, não a considerando, ainda, como um objectivo específico. Para além disso, o relatório recomenda o reforço da coordenação das políticas económicas e a definição das orientações relativas às políticas orçamentais nacionais.

	O colapso do sistema de Bretton Woods que cunhou o período pós-guerra e a decisão americana de permitir a flutuação do dólar em Agosto de 1971 provocaram uma onda de instabilidade nos mercados cambiais que pôs profundamente em causa as paridades entre as moedas europeias.

	Queda do Muro dá novo impulso à moeda única

	A reunificação alemã e o colapso dos regimes comunistas deu à moeda única uma nova dinâmica. A Alemanha unida suscitava receios nos países vizinhos, explica Jürgen von Hagen professor no Centro para Integração Europeia da Universidade de Bona. “A reacção à reunificação, sobretudo da França – foi a de avançar com a União Monetária para garantir que a Alemanha permaneceria firmemente ancorada na Europa” .

	 Três semanas após a queda do Muro a 9 de Novembro de 1989 o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Hans-Dietrich Genscher, visitaria o presidente francês François Mitterand. Ambos acordam que seja convocada uma Conferência Intergovernamental para identificar as alterações a introduzir nos tratados europeus a fim de se realizar a União Económica e Monetária.

	Os trabalhos desta Conferência Intergovernamental culminaram com o Tratado da União Europeia, formalmente adoptado pelos Chefes de Estado e de Governo no Conselho Europeu de Maastricht em Dezembro de 1991 e assinado em 7 de Fevereiro de 1992. Os preparativos logísticos para a entrada em circulação do euro datam de 1992, quando ainda ninguém sabia qual seria o aspecto da moeda única e esta ainda nem nome tinha.

	O batismo da nova moeda

	O nome “euro” foi escolhido em 1995, por iniciativa do então chanceler alemão Helmut Kohl, por ser fácil de pronunciar e porque se associa imediatamente à Europa. Inspirado na letra grega épsilon, o símbolo do euro evoca o berço da civilização europeia. “E” é obviamente a primeira letra da palavra “Europa”. As bem definidas duas linhas horizontais paralelas pretendem representar a estabilidade da moeda.

	No início de 1999 o euro arrancou como moeda “virtual” e foram fixadas as taxas de câmbio em relação às moedas nacionais, mas as notas e moedas só circulariam dois anos mais tarde.

	A moeda única chega às mãos dos europeus

	 No dia 1 de Janeiro de 2002, começaram circular as notas e moedas de euro em 12 Estados-membros da União Europeia. Um euro valia, aproximadamente 200 escudos portugueses ou 2 marcos alemães. No espaço de poucos dias estavam em circulação milhares de milhões de notas e moedas de euro. Outros países europeus não pertencentes à União Europeia, como Andorra, o Mónaco, San Marino e o Vaticano, também usam o euro.

	Muitos países africanos têm as suas moedas nacionais fixadas ao euro. É o caso do escudo cabo-verdiano ou do franco CFA em circulação na Guiné-Bissau.

	Aos doze países iniciais juntaram-se nos últimos anos mais cinco, o que significa que a moeda única é usada por 332 milhões de pessoas em 17 países.

	Futuro do euro decide-se em 2012

	Considerada até há pouco tempo uma história de sucesso a moeda única foi posta em causa pela crise financeira e da dívida que assola países da União Europeia, como Portugal, a Grécia e a Irlanda.

	No ano em que completa dez anos de existência a moeda única enfrenta o maior dos seus desafios: a sobrevivência. E poder-se-á assistir à saída de um ou mais países da zona euro.

	Um Contraste de autoria de Helena de Gouveia com contribuições de Rolf Wenkel e Johannes Beck.

	 

	Autor: Helena Ferro de Gouveia
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Euro, Maastricht, 10 anos, Moeda Única, União Monetária, UE, Pierre Werner, Wim Dueisenberg, Helmut Kohl</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sun, 1 Jan 2012 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Retrospetivas do ano 2011 – Parte 4: Desporto</title>
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   <description>O Japão levou ouro pela vitória na final do Mundial de Futebol feminino. Moçambique teve de se contentar com prata pela sua prestação nos Jogos Africanos. E bronze poderia ir para os países da ‘Primavera Árabe’.
	A equipa sénior feminina de basquetebol do Interclube de Angola revalidou o título de campeã africana de clubes, ao vencer, em Lagos, na Nigéria, a congénere local do First Bank por 81 contra 55 pontos.

	Também a seleção nacional rendeu louros para Angola: a equipa conquistou o seu primeiro troféu de campeã africana ao destronar o Senegal com uma vitória de 62 contra 54 pontos na final do Afrobasket, realizado em finais de setembro/início de outubro em Bamako, no Mali. Com esta vitória, a seleção feminina angolana garantiu também a qualificação para os Jogos Olímpicos de 2012.

	Cabo Verde sobe no ranking da FIFA

	Na classificação mensal divulgada pela Federação Internacional de Futebol, FIFA, Cabo Verde chegou a subir 10 lugares no ranking das melhores equipas de futebol do mundo, em agosto, passando a ocupar o septuagésimo segundo (72º) lugar.

	O ano histórico da Primavera Árabe

	 2011 foi o ano da &#039;Primavera Árabe&#039;, o ano em que o mundo viu florescer a esperança dos tunisinos, dos egípcios, dos líbios, mas também dos iemenitas, dos marroquinos e dos sírios bem como de outros povos que exigiram em manifestações, mais democracia, mais liberdade, mais transparência e mais respeito pelos direitos humanos nos seus países. Ora, a chamada &#039;Primavera Árabe&#039; teve repercussões também no desporto:

	Na Tunísia, por exemplo, o Campeonato Nacional de futebol teve de ser interrompido por mais de três meses devido à insurreição popular no país.

	Em homenagem aos &quot;mártires da revolução&quot; nos dois países, a Tunísia convidou o Egito para um jogo amigável; as receitas da partida seriam doadas às famílias de centenas de vítimas das revoluções.

	Em setembro, a seleção líbia venceu ainda o seu primeiro jogo da época pós-Kadhafi ao derrotar Moçambique por uma bola a zero numa partida que, por razões de segurança, se realizou na capital egípcia, Cairo, e sem espectadores!

	Jogos Pan-africanos em Moçambique 

	Maputo acolheu em 2011 a décima edição dos Jogos Pan-africanos. A capital moçambicana substituíra a eleita Lusaka, capital da Zâmbia, que tinha desistido de organizar o torneio por falta de recursos financeiros. Mas o balanço das medalhas obtidas pelos anfitriões acabou por ser difícil de engolir, pois ficaram sem medalha de ouro.

	Moçambique perdeu o último ouro possível quando a seleção nacional de basquetebol em masculinos foi derrotada pela Nigéria por 57-62 e ganhou a medalha de prata. Ao todo, 4 de prata e 8 de bronze para os anfitriões.

	A África do Sul foi a grande vencedora com um total de 156 medalhas, Angola, o melhor país dos PALOP na competição, situou-se na décima (10ª) posição, tendo conquistado, no total, 26 medalhas, sendo seis de ouro, 10 de prata e 10 de bronze.

	O Campeonato Africano das Nações - CAN

	Angola esteve de parabéns no ano de 2011. Os &quot;Palancas Negras&quot; foram a única equipa de língua portuguesa a qualificar-se para o CAN 2012, o Campeonato Africano das Nações, que se realizará entre finais de janeiro e meados de fevereiro no Gabão e na Guiné Equatorial. Angola jogará no Grupo B com o Sudão, a Costa do Marfim e o Burkina Faso.

	Alemão é novo treinador em Moçambique

	 Depois de não se ter qualificado para o CAN 2012, a seleção de futebol de Moçambique recebeu um novo treinador: o alemão Gert Engels. No país, espera-se agora que ele rejuvenesça a equipa.

	Mas Engels tem também a árdua tarefa de qualificar a equipa para o CAN 2013 e, quem sabe, para o Mundial de 2014, que se realizará no Brasil. Aliás, em novembro, a seleção de Moçambique venceu, tanto em casa como fora, as Ilhas Comores em jogos de apuramento a contar para a fase de grupos africanos de qualificação para o campeonato de 2014. Eliminados desde já estão a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

	Resultados dos campeonatos nacionais de futebol dos PALOP

	O Recreativo de Libolo sagrou-se campeão nacional de futebol da I divisão em Angola, tendo vencido em outubro a final do Girabola.

	Em Cabo Verde, quem ganhou o campeonato nacional foi o Clube Sportivo Mindelense e na Guiné-Bissau o Atlético Clube de Bissorã.

	O Moçambola, a maior prova futebolística de Moçambique, chegou ao fim em novembro com a consagração da Liga Muçulmana como campeã nacional.

	Por fim, em São Tomé, foi o Sporting da região do Príncipe que se sagrou campeão nacional.

	Mundial de futebol feminino: Japão sai vencedor

	 No torneio, que em 2011 se realizou na Alemanha, África esteve representada por duas seleções – Guiné-Equatorial e Nigéria – mas ambas foram eliminadas ainda na fase de grupos.

	Quem venceu o campeonato foi o Japão que derrotou os Estados Unidos por 5 a 3 , após penáltis, e surpreendeu o público no estádio de Frankfurt, onde se realizou a final do torneio a 17 de julho. Enquanto os Estados Unidos tiveram de se consolar com prata, o bronze foi para a Suécia. A equipa anfitriã, a Alemanha, tinha já antes deixado a competição, quando foi derrotada pelo Japão nos quartos de final.

	Futebol na Europa – o Euro 2012 promete

	O FC Porto entronou o campeonato português, o Borussia Dortmund venceu a Bundesliga alemã e o Manchester United sagrou-se campeão na Premier League inglesa. O Milão venceu em Itália e o Barcelona em Espanha.

	O Barcelona venceu ainda a Liga dos Campões, derrotando o Manchester United.

	E ainda: o ano 2012 será ano de Campeonato Europeu de futebol na Polónia e na Ucrânia. Os grupos estão definidos, com certeza um dos mais interessantes será o grupo B com a Holanda, a Dinamarca, a Alemanha e Portugal.

	 

	Autora: Marta Barroso
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>retrospetiva 2011; jogos africanos; CAN 2012; Mundial 2014; Jogos Olímpicos 2012</itunes:keywords>
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   <pubDate>Thu, 29 Dec 2011 13:25:00 GMT</pubDate>
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   <title>Retrospetivas do ano 2011 – Parte 3: PALOP vivem ano de manifestações e eleições</title>
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   <description>Em Angola multiplicaram-se manifestações. Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram às urnas. Na Guiné-Bissau proibiu-se uma das mais enraizadas tradições. E Moçambique começou a exportação do carvão das minas de Moatize.
	Na reta final do ano, olhamos para os acontecimentos mais marcantes nos cinco Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

	Angola

	 

	O ano começou com o despertar da contestação ao regime em Angola. A onda revolucionária que abalou desde o início de 2011 o norte de África, começando na Tunísia, propagando-se depois ao Egito e Líbia, fez-se sentir também em Angola.

	Houve diversas manifestações ao longo do ano, principalmente entre os meses de setembro e dezembro, organizadas maioritariamente por jovens. Contestaram o regime do Presidente José Eduardo dos Santos, há 32 anos no poder, e foram quase sempre reprimidas pelas forças policiais. Houve casos de violência, detenções e condenações.

	Angola também recebeu a chanceler Angela Merkel, a 12 de junho, naquela que foi a primeira visita de um chefe de governo da Alemanha àquele país ocidental africano. A visita de 24 horas teve uma agenda maioritariamente económica. 

	Cabo Verde

	O ambiente de campanha eleitoral marcou o início do ano em Cabo Verde. Nas legislativas de 6 de fevereiro, o Partido Africano para a Independência de Cabo-Verde (PAICV), há dez anos no poder, conquistou o terceiro mandato para governar o país. O primeiro-ministro e então candidato José Maria Neves alcançou maioria absoluta para governar.

	A população cabo-verdiana voltou a ir às urnas a 7 de agosto. Dos quatro candidatos na corrida presidencial, Jorge Carlos Fonseca (candidato do Movimento para a Democracia - MpD, o maior partido da oposição) e Manuel Inocêncio Sousa (do PAICV, no poder) passaram à segunda volta.
	
	 E a 21 de agosto, Jorge Carlos Fonseca venceu o pleito com 55,13% dos votos. Assiste-se, assim, a uma situação inédita no contexto político cabo-verdiano, em que o governo e a presidência têm de coabitar em diferentes cores políticas.
	
	Destaque ainda para Pedro Verona Pires, ex-presidente de Cabo Verde, que venceu o prémio Mo Ibrahim 2011, que reconhece a excelência na liderança africana. 

	O ano termina com luto em Cabo Verde. A voz quente de Cesária Évora apagou-se aos 70 anos. A rainha das mornas e coladeras, que sempre conservou a sua simplicidade, faleceu no Hospital da ilha de S. Vicente, a 17 de dezembro, com insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão elevada. Da diva dos pés descalços fica a &quot;Sodade&quot;.
	
	Guiné-Bissau

	 A Guiné-Bissau aprovou a lei que proibe a mutilação genital feminina, no dia 6 de junho. Uma decisão considerada histórica, após dezasseis anos de um intenso debate público. Foi assim dado um passo em frente rumo ao fim da tradição que, contudo, continua enraizada nalgumas regiões do país.
	
	Já a terminar o ano, a 26 de dezembro, houve tiroteio na capital da Guiné-Bissau, o que terá sido uma tentativa de golpe de estado, segundo o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, general António Indjai, que falou de &quot;tentativa de subversão da ordem constitucional&quot;. O primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, ter-se-á refugiado brevemente nesse dia na embaixada de Angola.
	
	Foi detido o Chefe do Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau, almirante José Américo Bubo Na Tchuto. O controverso líder da marinha de guerra é suspeito de envolvimento no narcotráfico na Guiné Bissau e o seu nome está ligado a várias tentativas de golpe de estado no passado. Porém, ele nega estar envolvido nos distúrbios de 26 de dezembro. 

	Os acontecimentos ocorreram num momento em que o Presidente da Guiné Bissau, Malam Bacai Sanhá, se encontra internado num hospital em Paris em estado de saúde incerto. 

	Moçambique

	 O primeiro carvão mineral das minas de Moatize foi exportado a 14 de setembro. O navio transportou 35 mil toneladas de carvão térmico de Moatize, a cargo da empresa brasileira Vale, na província de Tete (no centro-norte do país). 

	A exploração das minas Moatize começou em Maio. Deverá ter uma capacidade de produção, de carvão metalúrgico e térmico, de 11 milhões de toneladas/ano. Nos próximos anos, o carvão das minas, explorado pelas empresas Vale e Riversdale, deverá tornar-se um dos principais produtos de exportação do país.

	Houve também eleições em Moçambique. Os municípios de Pemba, na província de Cabo Delgado, Cuamba, no Niassa, e Quelimane, na Zambézia realizaram eleições intercalares a 7 de dezembro. 

	O partido da oposição, o MDM, Movimento Democrático de Moçambique, ganhou o escrutínio no município de Quelimane, com o candidato Manuel Araújo. Assim, Quelimane passa a ser o segundo município do país a ser governado pela oposição para além da cidade da Beira. A Frelimo, o partido no poder, venceu nos municípios de Pemba e Cuamba.

	São Tomé e Príncipe

	 Os eleitores são-tomenses foram às urnas a 17 de junho para eleger o Presidente da República. Entre os 10 candidatos, Manuel Pinto da Costa, do Movimento de Libertação de S. Tomé e Príncipe (MLSTP/PSD) e Evaristo Carvalho, da Ação Democrática Independente (ADI) passaram à segunda volta.

	A 7 de agosto, no segundo turno presidencial, o primeiro presidente da República de São Tomé e Príncipe conquistou de novo o Palácio Cor-de-Rosa. Manuel Pinto da Costa venceu com 52,88% dos votos, contra Evaristo Carvalho com 47,12%.

	Autora: Glória Sousa
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, 2011, golpe de estado, Manuel Pinto da Costa, Carlos Gomes Júnior, minas Moatize, Quelimane, Movimento Democrático de Moçambique, Pedro Verona Pires, Cesária Évora, Jorge Carlos Fonseca, José Américo Bubo Na Tchuto, António Indjai, manifestações, Luanda</itunes:keywords>
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   <pubDate>Wed, 28 Dec 2011 14:31:00 GMT</pubDate>
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   <title>Retrospetivas do ano 2011 – Parte 2: Crise, crise, crise e nenhum fim à vista</title>
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   <description>Se se tivesse que escolher uma palavra para definir 2011 na Europa, essa palavra seria &quot;crise&quot;. Esta crise é uma crise bancária e financeira, mas também uma crise do sistema político. Uma viagem pela Europa...
	Na origem da crise estiveram os bancos. Os institutos financeiros especularam, investiram em títulos duvidosos, perderam milhares de milhões de euros e os contribuintes tiveram de os estabilizar pagando as dívidas. Só que os milhares de milhões usados para salvar os bancos traduziram-se no aumento das dívidas públicas para valores recorde.

	Em países como a Grécia e Portugal, à crise financeira sucedeu-se uma crise da dívida. Tal como havia sido na Irlanda que recorreu a uma intervenção externa ainda em 2010 depois do salvamento dos bancos irlandeses.

	Demissão 1: Papandreou na Grécia 

	 A crise financeira fez em 2011 várias vítimas políticas de peso. Contestado nas ruas pelas medidas de austeridade, impostas pelo FMI e pela União Europeia em troca da ajuda financeira à Grécia, o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, viu-se forçado a sair de cena, dando lugar a Lucas Papademos.

	O ex-vice-presidente do BCE deverá ficar em funções até as eleições antecipadas, que ainda não tem data prevista apesar de se falar em meados de Fevereiro de 2012.

	Demissão 2: Berlusconi na Itália

	 Assustado com cenário de bancarrota da Itália o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, pediu demissão. Recorde-se que Itália é a terceira economia da Europa e o seu colapso significaria a implosão da zona euro, com efeitos dramáticos nas outras grandes economias e devastadores nos &quot;elos fracos&quot; como Portugal.

	A total perda de credibilidade do chefe do Governo italiano, Berlusconi, transformara-se no acelerador da corrida para o abismo. O fim de Silvio Berlusconi foi ditado por uma pressão conjunta dos mercados financeiros e dos principais políticos europeus. O controverso político foi substituído por uma figura respeitável ex-comissário europeu da Concorrência, Mario Monti.

	“Geração à Rasca” em Portugal

	 “Parva Que Sou”, a música do grupo Deolinda, tornou-se uma espécie de hino para a “Geração à Rasca” em Portugal, a geração de jovens na maioria licenciados e que devido à crise que o país atravessa não conseguem encontrar emprego. O protesto juvenil deu o mote a inúmeros protestos e greves que se realizaram ao longo do ano em Portugal.

	O novo governo de Pedro Passos Coelho impôs um draconiano plano de austeridade ao abrigo do memorando de entendimento assinado com a Troika - Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu - em Maio. Este acordo garantiu ao país uma ajuda externa no valor 78 mil milhões de euro.

	Para os portugueses as medidas de austeridade traduzem-se num aumento de impostos, corte dos subsídios de férias e de Natal para funcionários públicos.

	Mais crise à vista

	Não obstante as declarações dos líderes políticos dos Vinte e Sete, e as medidas acordadas na cimeira de Dezembro, os mercados continuam nervosos. Estão mais animados pelas perspectivas de crescimento da economia americana do que com algum sinal de estabilidade na economia europeia.

	Os juros da dívida soberana de Espanha e de Itália estabilizaram, por agora. O Banco Central Europeu injetou liquidez no sistema financeiro, mas os mercados interbancários continuam parados. Os bancos preferem colocar o seu dinheiro ao abrigo seguro do BCE em vez de emprestar o dinheiro aos outros bancos.

	2012 será certamente um novo ano sobre o signo da crise e para o final de Janeiro já está agendada uma nova cimeira europeia. Será a décima quinta tentativa de salvar o euro.

	Um Contraste apresentado por Helena Ferro de Gouveia.

	 

	Autora: Helena de Gouveia
	Edição: Johannes Beck</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Euro, crise, Angela Merkel, Monti</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 23 Dec 2011 15:51:00 GMT</pubDate>
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   <title>Retrospetivas do ano 2011 – Parte 1: Primavera Árabe</title>
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   <description>O mundo árabe vive, desde o início de 2011, uma reviravolta histórica, que temos vindo a chamar &quot;primavera árabe&quot; . Os protestos começaram na Tunísia e alastraram a outros países como o Egito, a Líbia e o Iémen.
	Mohamed Bouazizi era um pobre vendedor de frutas de uma cidade no interior da Tunísia, que depois de ver a sua banca de venda confiscada, sem dinheiro para regularizar a situação e desesperado por não conseguir alimentar a família, verteu uma lata de gasolina pela cabeça e imulou-se pelo fogo. Ao fim de três semanas no hospital, Bouazizi acabaria por sucumbir às queimaduras a 4 de janeiro de 2011.
	
	A sua morte empurraria milhares de pessoas para as ruas sobretudo no interior do país. Os tunisinos não se deixavam mais intimidar – nem por palavras nem por carros blindados. O presidente Ben Ali ameaçava, mas isso de nada lhe serviria. A barreira cairia a 14 de janeiro na capital Tunis.
	
	 O que ainda ninguém sabia: há muito que Ben Ali estava longe. Tinha fugido para a Arábia Saudita juntamente com a mulher e enormes quantidades de dinheiro, ouro e jóias. O ditador tinha caído, mas as pessoas continuaram na rua: para elas, a elite, que permanecia no poder, iria impedir a revolução.
	
	Mas o processo democrático decorreu melhor que o esperado. A 23 de outubro, os tunisinos elegeram uma assembleia constituinte. Estas foram as primeiras eleições livres na história da Tunísia.
	
	Quatro dias mais tarde, o partido islâmico moderado Ennahda festejava a vitória. Mas o resultado não agradaria a todos. Muitos revolucionários na Tunísia tinham imaginado um futuro diferente. Para estes, o partido islâmico é o preço que têm de pagar pela democracia.
	
	Hosni Mubarak – o último faraó?
	
	A faísca que partiu da Tunísia havia de alastrar rapidamente até ao Egito. Lá, o presidente lutou por mais tempo contra a perda de poder, o processo de democratização do país revelou-se mais difícil do que na Tunísia.
	
	O que começou com uma manifestação na capital, Cairo, a 25 de janeiro de 2011, transformou-se, em poucos dias, numa revolta popular nacional. Dez meses mais tarde, os protestos viriam a acabar em eleições legislativas, as primeiras livres dos últimos 60 anos.
	
	 Os protestos na Praça Tahrir foram um sucesso. A 11 de fevereiro o afastamento de Hosni Mubarak era anunciado, o exército assumia o poder no país. A 13 de abril, Mubarak viria a ser detido.
	
	Mas o Conselho Militar gozaria de cada vez menos confiança por parte dos ativistas. Isto porque desde fevereiro tinham sido julgadas cerca de 12.000 pessoas em tribunais militares. A televisão estatal voltava a fazer propaganda pelo regime, agora pelo Conselho Militar.
	
	As eleições legislativas começaram em finais de novembro. Na primeira fase do escrutínio, os salafistas, ultra conservadores, conseguiram um quinto dos assentos no parlamento. Com isso ninguém contava. Muitos dos que participaram na revolução sentiram-se traídos. Isto, porque os salafistas não tinham participado na revolta. A segunda fase aconteceu em dezembro e a terceira etapa será apenas em janeiro do próximo ano.
	
	Muammar Kadhafi – o fim da mais longa ditadura de África
	
	Mais sangrentas que no Egito, contudo, foram as convulsões na Líbia. O presidente Muammar Kadhafi instigou os militares contra os manifestantes, a NATO entrou no país e, finalmente, as tropas da revolução obtiveram a vitória sobre Kadhafi. Um levantamento popular que começou na cidade portuária de Benghazi no leste do país. Lá viveram-se em fevereiro os primeiros protestos contra o regime, a favor de reformas políticas. Recorrendo à violência, tropas de Kadhafi tentavam suprimir a revolta, que alastrou por todo o país.
	
	Em finais de agosto, as milícias do Conselho de Transição da Líbia conquistavam a capital Trípoli. Até outubro, aviões da NATO levaram a cabo mais de 20.000 operações, cerca de metade contra unidades do líder líbio.
	
	 Depois da sua fuga da capital, Kadhafi escondera-se na sua cidade-natal, Sirte. De lá, passara a mandar mensagens de áudio apelando à luta contra os insurgentes. O déspota de 69 anos viria a ser morto a tiros a 20 de outubro, depois de apanhado pelos rebeldes. O seu segundo filho, Seif al Islam, foi denunciado por alguém próximo e preso em meados de novembro. Tal como o pai, também Seif al Islam era procurado pelo Tribunal Penal Internacional, acusado de crimes contra a humanidade.
	
	Mais de 30.000 pessoas perderam a vida na luta pela liberdade. Dezenas de milhares estão dadas como desaparecidas ou foram feridas.
	
	O novo governo de transição, que inclui representantes de todos os grupos étnicos do país, tem de restabelecer a vida económica , tem de desarmar a população e reintegrar cerca de 200.000 ex-rebeldes armados no exército ou nas forças de segurança do país.
	
	Ali Abdallah Saleh – será?
	
	Pouco depois da morte do ditador líbio, já fora de África, a pressão sobre o presidente iemenita Ali Abdallah Saleh fê-lo ceder perante os protestos no seu país, o que terminou na assinatura de um acordo sobre a transferência de poder.
	
	 Depois de ter reprimido a revolta popular no Iémen ao longo de dez meses, Saleh deslocou-se em finais de novembro à Arábia Saudita na promessa de trabalhar no sentido de conseguir uma verdadeira parceria entre o seu partido e a oposição para gerir os assuntos do país e reconstruir o que destruíra.
	
	Mas segundo o acordo, Saleh permanece presidente a título honorífico por um período de três meses. Ao fim deste tempo, Rabbo Hadi será designado presidente interino por dois anos até à organização de eleições presidenciais e legislativas.
	
	Os invencíveis – pelo menos, para já
	
	A primavera árabe surpreendeu o mundo, é certo, mas nem em todos os países atingidos os protestos conseguiram derrubar os ditadores. O Bahrain e a Arábia Saudita são dois exemplos: ambas as monarquias se mantêm nos seus tronos, ambas continuam a reprimir as revoltas com recurso à violência, mas destes casos pouco se tem falado: enquanto Riad, Arábia Saudita, é um dos mais próximos aliados dos Estados Unidos na região, a própria veio em socorro do governo de Manama, quando enviou o seu exército para abafar as manifestações no Bahrain, também este próximo de Washington.
	
	Quem também ainda não se rendeu à voz do povo foi o presidente da Síria, Bashar Al Assad. Lá, os protestos continuam, apesar de todas as sanções impostas ao país, apesar dos acordos assinados com a Liga Árabe, prometendo o fim da violência, apesar da exclusão deste grupo regional.

	De acordo com dados da ONU, já mais de 5.000 pessoas perderam a vida desde o início dos protestos no país.
	
	Para a organização não-governamental Amnistia Internacional, a primavera árabe é um encorajamento para a luta pelos direitos humanos. E este encorajamento verifica-se, de facto: é que entretanto, esta primavera deixou de ser apenas árabe.

	Perante a surpresa das revoltas nestes países e o sucesso dos manifestantes, que pediram reformas democráticas e mais transparência, pediram liberdade, respeito pela dignidade e pelos direitos humanos nos seus países e perante a queda sucessiva de regimes que pareciam assentes em sólidas bases, a primavera que começou árabe alastrou a outras regiões, passando para lá da fronteira do Magreb e do Médio Oriente. Angola é um exemplo. No país, também há meses os jovens saem às ruas para exigir a queda do seu presidente, José Eduardo dos Santos, há mais de três décadas no poder.

	Entretanto chegou o inverno. Mas depois dele outra primavera virá.
	
	Autores: Marc Dugge (Rabat) / Jürgen Stryjak (Cairo) / Peter Steffe (Cairo) / Marta Barroso
	Edição: Johannes Beck</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Primavera árabe; retrospetiva; 2011; Ben Ali; Mubarak; Kadhafi, Iémen, Líbia, Egito, Bahrein, Síria, Angola</itunes:keywords>
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   <pubDate>Thu, 22 Dec 2011 14:24:00 GMT</pubDate>
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   <title>&quot;Jovem, ousada e inovadora&quot; - Um périplo pela cena cultural em Angola</title>
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   <description>Uma década depois do fim duma desastrosa guerra civil, cidades como Luanda ou Benguela fervilham com acontecimentos e lançamentos de novas ofertas culturais, nas áreas da música, literatura, cinema ou artes plásticas.
	 Angola é um país jovem e criativo. Com gentes sedentas de cultura. De espetáculos. De emoções.

	Os observadores da cena cultural angolana afirmam que o povo „mwangolé&quot; „gosta bwé&quot; (passe o termo kimbundo) de exibir o que faz. O crescimento económico também contribui para que – pouco a pouco – surja uma camada de artistas capazes de viver da sua arte.

	Vale a pena – pois – mergulhar na cena cultural angolana. Uma cena cultural cada vez mais emancipada e autoconfiante e capaz de libertar-se das rédeas e do contrôlo do poder político aparentemente todo poderoso. 

	Um programa especial de autoria de António Cascais.

	Autor: António Cascais
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Cultura, Angola, Cultura angolana, Luanda, Benguela, Litratura, Poesia, Música, Rui Carlos da Silva Loureiro, Fridolim Kamolakamwé</itunes:keywords>
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   <pubDate>Tue, 20 Dec 2011 16:33:00 GMT</pubDate>
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   <title>População da Tanzânia teme exploração de urânio no país</title>
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   <description>A Tanzânia exporta diamantes, ouro e a pedra preciosa tanzanite. Em 2012, quer explorar urânio. Mas a população, pobre, não participa das decisões sobre a exploração, teme seus efeitos negativos e se sente abandonada. 
	A riqueza dos solos da Tanzânia, país oriental africano, inclui diamantes, a rara pedra preciosa tanzanite e ouro. A Tanzânia é o quarto produtor de ouro do continente africano. Só em 2010, as exportações resultaram em mais de 1,5 mil milhões de dólares para o país. Mas os tanzanianos não percebem muito desses lucros, segundo a Deutsche Welle apurou no país.
	
	Muitos cidadãos temem que o mesmo aconteça com o urânio, que deverá ser explorado na Tanzânia a sério a partir do ano que vem. Observadores e habitantes locais ouvidos pela DW na região sul do país também dizem que a população não recebe informações sobre o efeito negativo da exploração de urânio. Um exemplo: em algumas perfurações de testes, trabalhadores receberam luvas de proteção apenas uma semana depois de iniciados os furos.

	 Metais pesados e produtos químicos

	No continente africano, há vários problemas causados pela exploração de urânio. A mina Rössing, na Namíbia, por exemplo, é uma das maiores do mundo. Também ali o minério é moído em chamados moinhos de urânio, e este é extraído quimicamente em seguida. O processo deixa sobrar uma lama residual que não é só radioativa, mas também contém metais pesados e produtos químicos usados na extração do urânio.
	
	Outro problema, já temido na Tanzânia, é a desapropriação de agricultores e pastores para a exploração de urânio, já que a demanda mundial pelo elemento metálico é expressiva. Apenas para fazer funcionar as centrais nucleares da Alemanha, atualmente, são necessárias cerca de três mil toneladas de urânio.

	Faltam quadro legal e recursos para explorar urânio
	
	O deputado tanzaniano Tundu Lissu, do partido oposicionista Chadema, conhece bem o problema. Durante vários anos, Tundu Lissu atuou numa organização ambiental na região de Bahi. &quot;O governo explicou com seriedade que quer começar com a exploração de urânio já em 2012. Este é um problema imenso. Ainda não temos uma política que estipule um quadro legal para se lidar com o urânio. Não temos nem recursos técnicos, nem conhecimento técnico para lidar com as conseqüências&quot;, explica.
	
	Ouça no link abaixo o programa Contraste que mostra como a realidade da população bate de frente com a futura exploração de urânio na Tanzânia.
	
	Autora: Ute Schaeffer
	Edição: Renate Krieger / Cristina Krippahl</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Tanzânia, África, urânio, ouro, diamantes, pobreza, população, exportações, tanzanite</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 16 Dec 2011 15:49:00 GMT</pubDate>
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   <title>Tartarugas ameaçadas em Cabo Verde</title>
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   <description>No mundo existem sete espécies de tartarugas marinhas, todas ameaçadas ou em vias de extinção. Em Cabo Verde podem encontrar-se cinco delas, na ilha da Boavista a organização alemã Turtle Foundation tenta protegê-las. 
	Nas águas das praias cabo-verdianas podem encontrar-se as seguintes espécies de tartarugas: a tartaruga comum ou amarela, que é a espécie mais frequente nas águas de Cabo Verde, a tartaruga verde ou cágeda, a tartaruga olivácea ou parda, a tartaruga de pente (também chamada tartaruga bico de falcão) e a tartaruga de couro.

	 

	Numa visita ao acampamento de voluntários da Turtle Foundation - ou Fundação Tartaruga - na praia de Lacacão em Boavista, Cabo Verde, a Deutsche Welle teve a oportunidade de acompanhar os voluntários numa das suas patrulhas noturnas.

	 

	Tartaruga à vista

	 

	Às dez horas da noite, três voluntários fazem-se ao caminho da praia do Curral Velho para ver se encontram tartarugas marinhas a desovar na areia da praia. Está escuro e ventoso, no acampamento da organização alemã Turtle Foundation, que desde 2008 se dedica à proteção de tartarugas marinhas em Cabo Verde, mas isso não intimida os voluntários.

	 

	Cerca de 30 minutos depois de chegarmos ao nosso destino, a praia do Curral Velho, vemos uma tartaruga. Dois dos voluntários começam a andar mais rápido mas silenciosamente para não perturbar a tartaruga. Minutos depois, Paola Chesi, a chefe da patrulha vem ter connosco e diz-nos que &quot;a tartaruga está a pôr os ovos&quot;. 

	 

	A desova

	 

	 

	Paola e os seus colegas têm de trabalhar rápido, enquanto a tartaruga põe os ovos. A chefe da partulha tira em primeiro lugar amostras de tecido da pele da tartaruga para a pesquisa de colegas do acampamento &quot;porque é uma operação rápida&quot;.

	 

	Outras operações, como a marcação da tartaruga com um chip, são feitas durante a camuflagem, ou seja, enquanto a tartaruga cobre o ninho com a areia da praia.

	 

	Cada fêmea pode fazer várias desovas, e entre 56 e 70 dias depois nascem os bebés das tartarugas, que imediatamente se dirigem para o mar. Entre 20 a 30 anos depois, as fêmeas sobreviventes voltam à mesma praia onde nasceram para desovar.

	 

	O período da desova começa em Junho e termina em Outubro. Durante estes meses, os voluntários da Turtle Foundation patrulham as praias porque as tartarugas estão mais vulneráveis quando saem do mar para por os ovos.

	 

	Nem tudo são rosas

	 

	Miguel Évora Lima tem 21 anos e é da ilha de Santo Antão. Ele começou a trabalhar com a Turtle Foundation como militar, para proteger os voluntários e o acampamento. Agora voltou como voluntário da organização ambiental.

	 

	Miguel explica que, por vezes, as tartarugas fazem várias tentativas para voltar para o mar e não conseguem, pois desorientam-se. E desta vez foi precisamente isso que aconteceu.

	 

	A voluntária italiana, diz que as luzes do enorme hotel na praia do Lacacão, que ficam acesas durante toda a noite, podem ter levado à desorientação da tartaruga. Paola fica, por isso, com a tartaruga até ela entrar no mar em segurança.

	 

	O trabalho com os locais

	 

	 Miguel e eu voltamos para o acampamento mais cedo, porque o dia seguinte começa às cinco e trinta da amanhã para ele.

	 

	Será um dia especial para Miguel porque vai aprender a fazer o censo, ou seja, a contagem de atividades na praia. Desde a contagem de ninhos à contagem de rastos, ou marcas deixadas por tartarugas na areia durante a noite, para fins estatísticos.

	 

	“É importante que os locais ajudem porque eles é que vivem aqui. E assim também temos locais a falar com locais o que é bom para a proteção das tartarugas.”, afirma Alex Couprie, o jovem voluntário francês de 19 anos que ensina Miguel a fazer o censo.

	 

	Desafios a ultrapassar

	 

	O principal objetivo da organização é, como explica Christian Roder, o diretor do projecto da Turtle Foundation em Cabo Verde, que, &quot;a longo prazo&quot;, as patrulhas deixem de ser necessárias. E que os locais entendam que podem lucrar mais se as tartarugas estiverem vivas e que não precisam de matá-las.

	 

	As tartarugas são, na realidade, só uma fonte de rendimento extra, segundo o jovem ativista alemão, que desde 2008 gere as actividades da Turtle Foundation em Cabo Verde.

	 

	Amanda Dutra é a coordenadora do acampamento e aponta outra ameaça que as tartarugas enfrentam: &quot;Um dos problemas mais recentes e que tem um potencial de se tornar ainda mais sério é a questão do desenvolvimento turístico. Nós temos um hotel enorme numa praia muito importante para a desova e isto é só o começo. Há planos para desenvolver o turismo aqui com campos de golfe e áreas residenciais e muito mais.&quot;

	 

	Mudança de comportamentos

	 

	 Segundo Amanda Dutra este é um grande problema nas ilhas de Cabo Verde porque ainda não há uma grande consciência no que diz respeito à proteção das tartarugas. No entanto, Christian Roder diz que as coisas estão a mudar em Boavista através da abordagem da organização.

	 

	&quot;Isto significa que a fundação é vista como parte da sociedade que é bem vinda. E não somos vistos como alguém que está a tirar uma fonte de rendimento à comunidade&quot;, conclui Christian.

	 

	Pequenas conquistas

	 

	E entretanto, a organização ambiental também já ganhou parceiros locais. A Turtle Foundation está a trabalhar com uma associação de Pescadores (na praia da Varandinha). Os pescadores decidiram deixar de apanhar tartarugas e em troca a Turtle Foundation dá-lhes apoio financeiro. Amanda Dutra, a coordenadora do acampamento em Lacacão, está claramente entusiasmada com esta decisão.

	 

	Mas Christian Roder, o diretor do projeto sabe que ainda há um longo caminho a percorrer e diz que &quot;é muito difícil saber até que ponto o comportamento das pessoas mudou.&quot;

	 

	Mas ele também afirma que alguns questionários feitos pela organização na comunidade mostram que a mensagem tem chegado às gerações mais jovens.

	 

	Miguel, o voluntário que começou por trabalhar com a Turtle Foundation como militar é prova disso. Para ele está claro porque se deve proteger as tartarugas marinhas: &quot;As tartarugas vivem nos oceanos há mais de 100 milhões de anos, não há interesse em extinguir uma espécie que nós já encontrámos aqui.&quot;

	 

	Autora: Carla Fernandes
	Ediçao: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Cabo Verde, Tartarugas, Turtle Foundation, proteção de tartarugas marinhas , protecção</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 9 Dec 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Semba, Kizomba, Kuduro - Ritmos e danças de Angola cada vez mais &quot;em voga&quot;</title>
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   <description>Os ritmos angolanos estão na moda e têm potencial para se tornarem um importante produto cultural de exportação, a exemplo do que – aliás – acontece há muitos anos com a música cabo-verdiana.
	São cada vez mais os jovens angolanos que se dedicam à produção de música. E são cada vez mais os que a consomem. Em Angola e fora de Angola.

	 

	O Semba é o ritmo mais emblemático de Angola. Há quem diga que este produto cultural genuinamente angolano terá sido transportado – a partir do século XVI - por escravos para ao Brasil e para as Caraíbas. O mesmo se pode dizer do instrumento base da capoeira, disciplina de artes marciais brasileira, o berimbau, que é originário de Angola, onde é denominado „ungo“.

	 

	Mas a história da influência musical angolana não se limita aos séculos passados. Atualmente são ritmos e danças que os jovens praticam nos musseques de Luanda que mais dão que falar no mundo. São as &quot;batidas&quot;, que desde os anos 90 se tornaram mais conhecidas pelo nome de &quot;Kuduro&quot;. E dentro do Kuduru surgiram estilos de dança como o do Kambuá e o Milindro...

	 

	Um programa de autoria de António Cascais.

	 

	Autor: António Cascais
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Semba, Kizomba, Kuduro, Ritmos angolanos, Danças de Angola, Danças angolanas, Música de Angola, Música angolana, Tony Amado, Raul Tollingas</itunes:keywords>
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   <pubDate>Thu, 8 Dec 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Manifestações em Angola, um sinal de esperança: Agualusa em entrevista</title>
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   <description>O escritor José Eduardo Agualusa esteve na Alemanha e falou numa entrevista exclusiva à Deutsche Welle sobre a democracia em Angola, o frágil regime angolano e o perigo de uma explosão social na sua terra-natal. 
	Deutsche Welle: No seu livro &quot;Barroco Tropical&quot;, que apresentou aqui em Colónia, retratou os angolanos como um povo algo conformado, acomodado, que não diz publicamente o que pensa. Teria escrito o mesmo depois das manifestações em Luanda, que ocorreram nos últimos meses?
	
	José Eduardo Agualusa: Eu não digo que os angolanos são conformados. Essa é uma crítica de um dos personagens do livro, que diz que, em Angola, nunca se deve ser a primeira pessoa a sair da mesa, porque os outros ficam falando mal da que saiu. Isso não é conformismo, é má língua (risos). Não, nunca achei que os angolanos fossem conformados. Aliás, infelizmente temos uma história de conflitos que vem desde há muito tempo.

	Estas movimentações em Angola, que são claramente inspiradas nas movimentações democráticas no norte de África, deixam-me muito feliz! São um sinal de esperança! São manifestações organizadas por jovens sem ligações partidárias e que surpreenderam os partidos políticos tradicionais e em particular o partido no poder.

	Trata-se de jovens ligados ao mundo – quer através da internet quer por serem jovens com uma experiência do mundo, que estudaram fora e voltaram para Angola. Eu conheço alguns deles, são pessoas idealistas, que não se deixaram comprar e em Angola, aquilo que o regime faz é sempre, em primeiro lugar, comprar as pessoas. Este regime dispõe de muitos meios e estes jovens não se deixaram comprar. E a única coisa que eles querem é simplesmente mais democracia. É só isso.
	
	DW: Acha que é importante o facto de se tratar de uma geração que não viveu tanto na própria pele os efeitos da guerra civil?
	
	JEA: É verdade. É uma geração que, por um lado, não está tão contaminada por esse rancor e esse ódio, por outro lado, é uma geração que não foi corrompida, não está corroída ainda.
	
	DW: E acha que eles têm hipóteses de realmente mudar o regime em Angola?
	
	JEA: O regime angolano, quando a gente compara com o regime que existia na Líbia ou no Egito ou na Tunísia, é muito mais frágil, é um regime muito frágil, muito, muito, muito, muito, muito frágil. E que se sustenta sobretudo devido ao apoio internacional. As potências ocidentais não têm feito pressão contra este regime no sentido de se democratizar.

	 Por outro lado, dentro do partido no poder há várias correntes: há uma corrente conservadora, mas há uma corrente mais democrática. E o que eu espero é que estes protestos em Luanda despertem consciências dentro do próprio regime no poder e possam fortalecer esta corrente democrática.

	O ideal era que, ao mesmo tempo, sobressaltassem as potências ocidentais e essas potências, olhando para aquilo que se passou no Egito, na Tunísia, na Líbia, percebessem finalmente que as democracias tendem a ser mais estáveis que as ditaduras e que, para aplicar dinheiro, é melhor aplicar dinheiro em democracias que em ditaduras.
	
	DW: Como seria o tipo de pressão dos países que até agora apoiam o regime angolano? Um boicote às mercadorias angolanas?
	
	JEA: Não é necessário isso. Como eu disse há pouco, o regime angolano é realmente muito fraco, muito frágil. Os dirigentes angolanos, todos eles, têm interesses grandes nos países ocidentais; eu acho que bastaria simplesmente fazer uma leve pressão junto desses dirigentes, em particular do presidente José Eduardo dos Santos no sentido de o incentivar a deixar o poder e a fazer uma transição democrática assegurando que ele não se perderia com essa transição, que poderia continuar a sua vida como empresário e numa posição de respeito e de dignidade.

	Eu acho que não seria preciso muito, seria apenas um ligeiro empurrão, seria simplesmente conversar. Eu acho que no caso de José Eduardo dos Santos é tão simples como isto: os países ocidentais teriam simplesmente que fazer uma ligeira pressão, que falar com ele, que conversar, não seria preciso muito mais, porque o regime é realmente muito fraco, é muito fraco.

	O pior é que a situação em Angola é mais explosiva do que era, por exemplo, na Líbia, porque a situação social é muitíssimo grave, há um fosso social em Angola que não existia na Líbia e, portanto, há realmente o perigo de que amanhã aconteça uma explosão social em Luanda e os europeus vão ser apanhados de calças na mão, inclusive a comunidade de expatriados que vive em Luanda. Se acontecer um desastre em Luanda, eu não sei como essas pessoas vão sair. Não têm saída! Só portugueses são 100.000.

	E o que me inquieta e me espanta é que as potências ocidentais não façam sequer um esforço de tentar compreender o que se passa em Angola, que movimento é este. Obviamente o passo seguinte seria tentar apoiar estes movimentos democráticos.

	Isso é surpreendente: como é que os europeus apoiam um regime e depois nem sequer fazem o mínimo esforço para compreender o que se está a passar em Angola do ponto de vista social?
	
	DW: Tem uma explicação para esta falta de esforço, de visão? 
	
	JEA: É muito perturbador, por exemplo, sempre que se fala da presença chinesa em Angola, o que se diz sempre na Europa é: &quot;os chineses estão a investir, mas os chineses não fazem exigências democráticas!&quot; E os europeus fazem?

	 O que é que diferencia, hoje em dia, a China da Europa? Eu não sei, sinceramente! Porque os chineses, pelo menos, estão a construir efetivamente, portanto deixam infraestruturas e os europeus nem isso deixam! Então, eu não sei, hoje em dia, qual é a diferença entre a China e a Europa. Gostaria que houvesse, gostaria de pensar que a Europa ainda é o último reduto de uma esperança democrática!

	Mas infelizmente não é isso que nós vimos: o primeiro ministro português esteve em Angola e não fez nenhuma referência à necessidade de Angola fazer uma transição para a democracia ou, junto do presidente Eduardo dos Santos, não fez nenhuma referência ao facto de ele estar no poder há 32 anos e de ser importante que ele abandone o poder. Ninguém ouviu o primeiro ministro português fazer essas referências, pelo contrário!
	
	DW: Viveu também algum tempo aqui na Alemanha. Há alguns meses, a chanceler alemã Angela Merkel também visitou Angola e, ao contrário do que ela fez noutros países, teve um discurso relativamente fraco em relação aos direitos humanos e à democracia em Angola. Acha que é um efeito da ignorância de muitos governos europeus em relação a África ou deve-se ao facto de Angola ser um importante produtor de petróleo?
	
	JEA: Sem dúvida que tem a ver com o facto de Angola ser um importante produtor de petróleo e também ao facto de o regime angolano não ser uma ditadura sangrenta. É verdade que não é! Não é comparável com outras ditaduras a esse nível. Mas não é uma democracia. E isso, sim, é muito mais frágil que outras ditaduras!

	Isso, sim, interessaria à Europa, em particular à Alemanha, ter em Angola um regime mais sólido, democrático. Os regimes democráticos tendem a ser mais sólidos. Basta pensar na África do Sul, no Botsuana, em Cabo Verde: são regimes sólidos!

	Porque é que Angola não pode ter um regime democrático? Porque é que Angola não pode ter um regime como Cabo Verde ou como o Botsuana ou como a África do Sul?
	
	DW: Diz que o regime angolano é relativamente frágil. Mas por outro lado, Angola apresenta-se como uma das potências mais fortes em termos militares. Regionalmente também já interveio no conflito na República Democrática do Congo. Como é que isto combina com a sua percepção de um país com um regime relativamente frágil? 
	
	JEA: As Forças Armadas Angolanas, o que é bom, não têm uma tradição golpista. Fazem aquilo que o poder central pede que se faça. Eu tenho muitas dúvidas de que as Forças Armadas se colocassem do lado do regime caso houvesse uma revolução nas ruas. Tenho muitas dúvidas.

	Os generais que estão de facto ligados ao poder e que estão próximos do presidente José Eduardo dos Santos, que é o único poder real que existe em Angola, esses generais são hoje empresários prósperos, não têm mais uma ligação efetiva às Forças Armadas. Então, essa é uma das razões.

	Sim, Angola tem esse poder militar, mas esse poder militar não está necessariamente do lado do presidente José Eduardo dos Santos.
	
	DW: O MPLA ou alguns dirigentes do MPLA sempre alertam para um possível reinício de uma guerra civil no caso de as manifestações continuarem. Vê este perigo?
	
	JEA: Não. [Quanto ao perigo] de uma guerra civil tenho muitas dúvidas. Agora, o que existe, de facto, é o perigo de uma explosão social não controlada. Angola deve ser hoje o país no mundo onde o fosso social é maior, onde os ricos mais exuberantemente expõem a sua riqueza e isso pode vir a provocar uma explosão social. Esse perigo existe.
	
	Autor: Johannes Beck
	Edição: Marta Barroso/António Rocha</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>José Eduardo Agualusa Barroco Tropical Angola José Eduardo dos Santos</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sat, 26 Nov 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>&quot;O voador morre à sombra - pesca artesanal&quot;</title>
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   <description>Métodos ultrapassados, condições pobres, pirogas instáveis. Em São Tomé e Príncipe, a realidade no mar não faz jus ao seu potencial. Ouça a primeira parte de uma co-produção da Rádio Jubilar e da Deutsche Welle. 
	Esta é a época do voador em São Tomé – um peixe que não só nada, mas também salta fora da água. No país, costuma dizer-se “voador panhá”; panhá, porque vem de “apanhar”, já que o voador não se pesca com fio e anzol. O voador apanha-se. Com folha de andala e capim.

	 

	 Como é à superfície da água que o voador deposita os seus ovos, o capim serve para atrair as fêmeas. E é então, durante a desova, que os pescadores capturam o peixe, violando uma convenção internacional. Porque, segundo a lei, só é permitido pescar espécies em fase adulta. Ora, para evitar despesas adicionais, os pescadores do voador trazem as folhas e a palha de volta da pesca para as reaproveitarem no dia seguinte. E nelas, milhares de ovos postos. Por falta de conhecimento e porque, na apanha deste peixe, ainda os costumes imperam.

	 

	 Por estas e mais razões, São Tomé e Príncipe vê o seu pescado embargado para exportação. Enquanto navios estrangeiros pescam em quantidades industriais nas águas santomenses, as ilhas não têm possibilidade de cumprir com as normas sanitárias internacionais. Para os santomenses, no entanto, o pescado proveniente da pesca artesanal é muito importante.

	 

	Um trabalho da autoria de Sérgio Nunes (Rádio Jubilar 91.9 FM) e Marta Barroso (Deutsche Welle).</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>São Tomé e Príncipe, desenvolvimento rural, pesca artesanal, pescadores, voador</itunes:keywords>
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   <pubDate>Thu, 24 Nov 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Do luxo à decadência - o Grande Hotel da Beira</title>
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   <description>O prédio já foi o maior hotel de luxo da África lusófona, mas hoje não recebe mais hóspedes. O casebre é ocupado por quase 4 mil pessoas, mas não oferece condições adequadas para receber moradores. 
	A festejada inauguração do Grande Hotel da Beira, a segunda maior cidade de Moçambique, em 1954, trazia o título &quot;O Orgulho da África&quot;. O empreendimento português oferecia 110 suítes luxuosas em 12 metros quadrados.

	Mas o Grande Hotel não teve muito sucesso comercial e foi abandonado pelos donos. Com a guerra civil moçambicana o empreendimento realmente entrou em decadência. O prédio foi esvaziado e veio a servir de abrigo para refugiados.

	O antigo hotel já foi cenário para vários filmes como &quot;Hóspedes da Noite&quot;, do brasileiro Licínio Azevedo, e &quot;Grande Hotel&quot;, da belga Lotte Stoops.

	O hotel está localizado na Avenida Mateus Sansão Muthemba no bairro da Ponta Gêa, quinze minutos à pé do centro da cidade. O que era o &quot;esplendoroso&quot; hotel hoje se trata de um esqueleto de concreto, cinza e negro. A construção ficou escurecida por todos os lados pela ação do tempo e falta de manutenção.

	O Grande Hotel está hoje sob uma área abandonada, um terreno ocupado por mato e capim, onde casas de famílias compõem a vizinhança. Os parapeitos das sacadas com entradas reniformes estão desgastados. Árvores com folhagens grandes e vários arbustos crescem junto à construção. Alguns moradores coletam água que pinga de um vazamento no teto do prédio.

	Viver nas escadas

	Adelino Timóteo nasceu e cresceu na Beira. O escritor, artista e jornalista convive com o Grande Hotel desde a infância e acompanhou a decadência do estabelecimento. Seu mais novo romance envolve o local e, por isso, vai até o Grande Hotel para ter contato com o que sobrou o luxuoso estabelecimento.

	&quot;Se for fazer um filme sobre o que passa aqui diariamente, este filme ultrapassará a ficção. Você pega uma caneta para escrever sobre isto e pode não se sentir realizado. Isto é mais do que surreal&quot;, diz Timóteo. O foyer do hotel tem o tamanho de um ginásio de esportes. Nas extremidades, a luz entra pelas imensas janelas e crianças aproveitam para brincar no local. Uma delas se lava em uma calha com água.

	 O local é frio e mofado. Fuligem e madeira carbonizada podem ser vistos à volta. Nas áreas escuras do antigo hotel, lixo está acumulado. Em um desses cantos, vive uma mulher magra, chamada Teresa. Ela e seus três filhos estão prontos para mostrar a casa. Ela abre a porta que provavelmente antes tenha sido uma persiana para janela ou uma parte de uma estante e recebe a reportagem com um olhar bastante amistoso. 

	O lugar escolhido por Teresa é bastante escuro. Ela se instalou em uma antiga escada. Ela empilhou caixas cor de laranja, tábuas, panelas, cadeiras de plástico e outras coisas nos degraus. Quanto mais ela desce a escada, mais abarrotado e quente o ambiente fica. &quot;É cheio de coisinhas aqui, como uma casa pequenina&quot;, define Teresa, que mora há seis anos no antigo hotel.

	Teresa vive de graça no hotel com seu marido e filhos. Porém, antes de poder morar na escada rompida do prédio, eles tinham que pagar 400 Meticais, o equivalente a 11 euros, à família que tinha usado esta área do hotel como casa. &quot;Nós não gostamos de viver aqui, mas não temos dinheiro. O governo não oferece formação&quot;, explica. As acomodações do hotel foram ocupadas clandestinamente. Não existe uma lista de espera. O Grande Hotel não é uma instituição de caridade.

	O forro e a tubulação estão desmontados. O encanamento está espalhado pelo chão, com poças de água que acabam tornando o local arriscado para quem caminha na escuridão. Não há mais eletricidade. Água corrente e encanada também não existem. Na ausência de sanitário, as pessoas usam locais com areia e mato em volta do hotel.

	&quot;Nós não somos marginais nem bandidos&quot;

	No segundo andar, não muito longe da escada de Teresa, mora Carlos, apontado como o secretário do bairro. Ele é o representante do partido governista Frelimo no local, o que faz dele uma das personalidades mais influentes do antigo hotel. As pessoas dizem na Beira que o Grande Hotel agora é um ponto de criminalidade, mas ele discorda.

	Conforme Carlos, de 3 mil a 4 mil pessoas vivem no que sobrou do Grande Hotel. Ele destaca que não há diferença entre as pessoas que ocupam o porão das pessoas que ocupam os outros andares. &quot;Nós não somos marginais nem bandidos. Com não temos condições (financeiras), somos desprezados. Não tem rico aqui. Todos são miseráveis&quot;, desabafa Carlos.

	Há uma espécie de conselho na comunidade do antigo hotel que se reúne uma vez por mês. As reuniões são convocadas por Carlos e servem para resolver questões pendentes entre os moradores e avaliar infrações cometidas por quem supostamente fere as regras estabelecidas previamente, como, por exemplo, atirar lixo na varanda do prédio.

	Medo do futuro

	Damásia abre a sua porta. Ela é esposa de um professor, uma das poucas famílias que dispõem de renda por aqui. A maioria dos moradores trabalha com biscates ou são vigilantes. A habitação de Damásia é muito mais clara do que as outras. O pequeno quarto é mobiliado. Três sofás marrons na parede, uma mesa com seis cadeiras.

	 A jovem mulher vive há 25 anos no local. Quase toda a sua vida. Ela chegou com seus pais do interior. Foram obrigados a fugir de onde viviam devido a guerra civil, refugiando-se no hotel abandonado. Acabou ficando no local e não enxerga isto de uma forma amistosa. Ela diz que tem medo que o prédio desabe por que, segundo ela, &quot;a água da praia esta a comer a base do hotel&quot;.

	Nelson Paulino entra no hotel. O jovem de 23 anos, elegante, veste roupas da moda. O hotel está entre as suas tarefas na prefeitura da Beira. &quot;Se caso aparecer uma investidor que ache que pode oferecer casa para as pessoas e construir um condomínio ou aproveitar o hotel de alguma forma, nós podemos estudar e viabilizar isso&quot;, diz o funcionário da prefeitura. 

	&quot;Fico porque é de graça&quot;

	Quem teria interesse pelas ruínas de um hotel que já estava decadente mesmo durante a administração portuguesa? Na verdade o município não tem planos para o hotel. O escritor Adelino Timóteo acredita que o hotel pode ser recuperado. &quot;Se este prédio fosse recuperado, poderia se fazer escritórios municipais ou até mesmo espaço para exposições de arte&quot;, imagina.

	A maioria dos moradores do Grande Hotel já perderam as suas esperanças sobre uma eventual mudança no lugar. A maioria fica no prédio abandonado devido as suas condições financeiras, como explica Damásia. &quot;Eu já sai daqui e voltei de novo porque havia me transferido para uma casa alugada&quot;, explica o retorno motivado pelo baixo custo dos &quot;apartamentos&quot; do Grande Hotel.

	A maioria quer sair do Grande Hotel Talvez por isso há alguns anos Carlos junta material de construção em sua sacada, como blocos de concreto, azulejos antigos e cascalho. &quot;A terra eu já tenho, falta apenas capital para começar a construção&quot;, diz. Talvez ainda não tenha existido alguém que realmente goste de morar no Grande Hotel. Porém, ao contrário do tempo colonial, o lugar está pelo menos lotado.

	 

	Autor: Oliver Ramme 
	Edição: Marcio Pessoa / Johannes Beck</description>
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   <itunes:keywords>Beira, Grande Hotel da Beira, Turismo, Moçambique</itunes:keywords>
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   <pubDate>Thu, 24 Nov 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Terrorismo em África - parte 3 - &quot;Lord&#039;s Resistence Army - LRA&quot; no Sudão do Sul</title>
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   <description>São apenas cerca de mil homens, mas são suficientes para espalhar o terror em toda a África Oriental. Acredita-se que o LRA, Exército de Resistência do Senhor, seja um dos grupos terroristas mais perigosos em África.
	Fundado em 1987, o LRA, Exército de Resistência do Senhor, e o seu chefe, Joseph Kony, lutam por um Estado cristão no Uganda. Mas, desde 2007, o LRA está ativo na República Democrática do Congo (RDC) e no Sudão do Sul.

	 

	A mílicia distingue-se pela crueldade. O LRA fez já milhares de mortos e transformou milhares de meninos em soldados e meninas em escravas sexuais. Sem agenda política visível, o LRA ataca aldeias e matou já milhares de pessoas. 

	 

	Apesar da atenção internacional, o LRA continua activo. As suas vítimas vivem uma vida de medo.

	 

	O campo de refugiados de Lasu

	 

	Não há nada aqui. Não há rede de telefonia móvel, não há eletricidade e nem água corrente. “Bem-vindo ao campo de refugiados de Lasu” está escrito em num sinal na estrada. A bandeira da agência de refugiados da ONU está içada no mastro. Sete mil pessoas vivem aqui. Congoleses que fugiram ataques do LRA para  o Sudão do Sul.

	 

	Pequenas cabanas de colmo redondas aninhadas nas montanhas emolduradas por plantações de milho. A aldeia é o lar para pessoas como David Ajuka Tesille. David tem 45 anos  e vive em Lasu, há dois anos, com sua esposa e seis filhos.  “O LRA atacou a nossa aldeia. Eles levaram tudo, as nossas roupas e os amendoins que tínhamos plantado. Queimaram o não precisaram. Em seguida, forçaram as pessoas a carregar coisas para eles. Levaram os filhos dos meus vizinhos, mas alguns deles conseguiram felizmente escapar”.

	 

	No dia seguinte ao ataque, David Ajuka fugiu com a mulher e os  filhos para outro lado da fronteira, para o  Sudão do Sul. Agora senta-se aqui em frente de sua cabana. David é um homem alto, veste  uma camisa riscada vermelha e laranja e umas jeans sujas, na quais caberiam mais duas pessoas. “Nós recebemos comida mas não o suficiente para a minha família durante todo o mês. Além disso, não temos muito mais. Temos latas para buscar água, mas não são suficientemente grandes para buscar a água necessária para todos nós. Temos apenas um cobertor para todos”. Pior que a falta de tudo é viver com o trauma.

	 

	Continuam em liberdade e a espalhar o terror

	No papel, a comunidade internacional está a trabalhar arduamente para derrotar o LRA. O governo dos EUA aprovou uma lei especial que prevê a aniquilação do LRA. Entre outras coisas os Estados Unidos ajudam com dinheiro e formação o exército ugandês. Mas,  até agora as ofensivas ugandesas têm sido infrutíferas.

	Também o Tribunal Penal Internacional emitiu em 2005 um mandado de captura internacional contra o chefe do LRA, Joseph Kony e  os cabecillhas da milícia. Todos continuam em liberdade e a espalhar o terror.

	 

	Oiça a reportagem de Daniel Pelz no campo de refugiados de Lasu, apresentada por Helena de Gouveia.

	Autor: Daniel Pelz / Helena de Gouveia

	Edição: Johannes Beck

	 

	 </description>
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   <itunes:keywords>LRA, Lord&#039;s Resistence Army, Terrorismo, África, Sudão, Sudão do Sul, Uganda, República Democrática do Congo, RDC</itunes:keywords>
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   <pubDate>Wed, 23 Nov 2011 10:56:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mutumbela Gogo do Teatro Avenida festeja bodas de prata</title>
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   <description>&quot;Aprendemos a resistir ao desejo de desistir&quot;, diz um dos membros do primeiro grupo profissional de teatro em Moçambique. O resultado dessa resistência hoje são 25 anos de vida de profissionalismo e competência. 

	O Mutumbela Gogo, apesar da idade, ainda tem sonhos: abrir uma escola de teatro e alargar o grupo. Manuela Soeiro, directora do grupo, já começou a envolver outros jovens actores em trabalho do grupo. Mas Manuela Soeiro, que se posiciona como &quot;mãe&quot; do grupo, sonha também com a independência dos &quot;seus filhos.&quot; Alguns deles, por sua vez, já começaram andar com as suas próprias pernas.

	Alguns escritores conhecidos fazem parte da história do grupo do Teatro Avenida, Mia Couto já foi uma espécie de escritor da casa, mas agora ele acha que foi dispensado, no bom sentido. Quem não abandonou as suas funções foi o escritor sueco Henning Mankell, que tal como Mia Couto participaram da origem do Mutumbela Gogo.

	 

	Os primeiros anos deste grupo teatral foi marcado por um mar de dificuldade, que serviu de aprendizagem para os integrantes, &quot;foi uma escola de vida&quot;, considera o actor Adelino Branquinho.

	A temática preferida do grupo é a intervenção social, optando regularmente pela tragicomédia. O Mutumbela Gogo mostra-se versátil ao representar estilos como clássico, universal, e principalmente por explorar intensamente o estilo moçambicano atráves de criações colectivas. As capacidades criativas do grupo não ficaram acantonadas as crises do regime socialista dos anos oitenta , agora enterradas. Ainda hoje os seus membros mostram-se polivalentes.

	Um feature de autoria de Nádia Issufo.

	Autora: Nádia Issufo
	Edição: António Rocha</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Moçambique, Teatro Avenida, Mia Couto, Manuela Soeiro, Mutumbela Gogo, Maputo, Atores, Actores</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sun, 13 Nov 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Em Moçambique, província de Tete é &quot;Eldorado&quot; – do carvão e da inflação</title>
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   <description>Na segunda parte da entrevista à DW, Thomas Selemane, investigador do CIP, diz que megaprojetos – a exemplo da extração de carvão em Tete – pioraram a vida da maioria da população local com aumentos de preços. 
	Em setembro de 2011, a empresa brasileira Vale começou a exportação de carvão da bacia de Moatize, na província de Tete (centro-norte de Moçambique). A mina de carvão é considerada uma das maiores de África e preveem-se exportações no valor de milhares de milhões de dólares nas próximas décadas. Para além da Vale, existem na região de Tete outras minas de empresas internacionais, por exemplo da empresa Riversdale, de capitais britânicos e australianos.

	Thomas Selemane, investigador do Centro de Integridade Pública (CIP), estudou os efeitos do &quot;boom&quot; de carvão sobre a economia local em Tete. No seu livro, cuja publicação está prevista para este mês de novembro, chegou à conclusão que a população local não ficou mais rica.

	Saiba o motivo nesta segunda parte da entrevista conduzida por Johannes Beck, chefe da redação em Língua Portuguesa da DW, com Thomas Selemane, sobre a indústria extrativa em Moçambique (oiça o áudio no link abaixo).

	Deutsche Welle: A mina de carvão em Tete beneficou a população local?

	Thomas Selemane: A população local não beneficiou do investimento e acho que não era suposto, agora, em 2011, a população local [já] beneficiar do investimento. Mas há outras questões fora do benefício direto do investimento que poderiam ter sido feitas de maneira melhor e que não foram.

	 Por exemplo: a implantação do projeto implicou a transferência de pessoas da região onde a mina foi feita para uma outra região. Isso foi feito pela empresa, mas sempre com aval do governo e com autorização do governo. Eu tenho informações, no estudo que fiz, que a empresa tinha proposto dez locais possíveis para onde as pessoas podiam ser transferidas. E o governo escolheu um dos dez.

	Curiosamente, o governo escolheu um local que é mais distante da cidade – 40 km – que tem menos possibilidade de produção agrícola. A produção agrícola baixou, outras famílias simplesmente ficaram sem espaço para produzir porque o solo é demasiado pedregoso. Ficaram sem condições de criação de gado porque, em Tete, grande parte da população cria gado, tem cabritos, tem bois.

	Foram postas numa zona sem rio perto – a água é abastecida com um sistema de tanques. Ficou uma situação fora da discussão dos benefícios do investimento – que pode vir daqui a algum tempo. Mas, agora, a situação poderia ter sido feita de melhor forma e não foi. Isso gerou também – e gera até agora – uma onda de descontentamento muito grande por parte da população local.

	DW: O senhor estudou os efeitos, em Tete, dos investimentos das companhias que extraem ou vão extrair carvão na província. Em termos de aumento dos preços, o senhor notou uma subida dramática dos preços locais. Pode nos dar alguns exemplos de como o investimento estrangeiro direto afetou a vida e os preços em Tete?

	TS: Acho que este é o elemento mais evidente e o que as pessoas, mais diretamente, sentem: a subida do nível geral de preços. Por exemplo, em 2007, na altura em que os megaprojetos foram para Tete, um cabrito vivo custava entre 250 e 400 meticais [entre 9 e 15 dólares]. Hoje, chega a custar 2 mil meticais [74 dólares].

	Outro exemplo: havia duas agências bancárias [em Tete] em 2007. Hoje, há 19 agências bancárias. Havia mais acesso aos serviços bancários em 2007, quando havia só duas agências. Agora, o acesso, apesar de haver muitos bancos, o acesso é extremamente difícil. Há longas filas porque o aumento do número de clientes foi extremamente superior ao aumento do nível dos serviços bancários.

	A questão dos preços é extremamente grave para todas as outras pessoas que não trabalham nos megaprojetos. Para os funcionários públicos, professores, enfermeiros, polícias etc., a vida em Tete é extremamente insuportável porque os preços atualmente são feitos contando com o salário das pessoas que trabalham na Vale, na Riversdale.

	Para se ter uma ideia, um quarto padrão de um hotel de três estrelas – que é o máximo que existe neste momento em Tete – custa igual a um quarto padrão de um hotel cinco estrelas em Maputo [a capital]. E o serviço é fora do comparável. Então, com a presença dos megaprojetos, para o grosso da população, a vida piorou.

	DW: Nem toda a gente vive num hotel – mas será que o preço dos apartamentos normais, ou de casas normais, também aumentou tanto quanto em Angola, por exemplo, onde se viveu um &quot;boom&quot; petrolífero e onde se notou um aumento vertiginoso, até, dos preços de terrenos, casas e apartamentos em Luanda. Será o caso, também, de Tete?

	TS: Sim, é o caso de Tete também. Este é um dos dados que nós procuramos analisar no período do estudo (2007 a 2011). Por exemplo, um apartamento tipo três, a renda custava entre 300 e 400 dólares [mensais] em 2007. São as casas “top” do centro da cidade, as melhores.

	As mesmas, hoje, custam entre 3.500 a 5 mil dólares. Quer dizer, um aumento de dez vezes, por aí. E esses preços, 5 mil dólares, é o que se pode pagar por uma renda mensal na zona nobre de Maputo. Então, há uma diferença muito grande de nível de preços de 2007 para hoje.

	A comida também é muito mais cara em Tete do que em Maputo e outras partes de Moçambique.

	DW: Então, em vez de ficarem mais ricas com essa extração de carvão, as pessoas que não trabalham na Vale ou na Riversdale, ficaram mais pobres?

	TS: Sim, ficaram mais pobres e a vida ficou mais difícil ainda. Porque, mesmo para os vendedores e os fornecedores de bens e serviços, apesar de terem aumentado os preços desta maneira, a vida deles não ficou melhor. Porque todo o resto da economia também aumentou. Aumentou o preço da comida, o preço do transporte, o preço dos combustíveis, o aluguel das casas, da roupa etc.

	Então, se há alguém que opera, por exemplo, no negócio da batata ou dos frangos, aumentaram os preços. Mas depois, se querem comprar pão, óleo ou açúcar, também aumentaram [os preços destes produtos]. É uma situação pior do que antes – geral, para todos –, mas não muito pior para aqueles que trabalham nos projetos porque estes têm até subsídios de alimentação da própria empresa e recebem salários muito mais altos do que o resto dos trabalhadores dos outros setores.

	DW: Se estamos a falar da transparência na indústria extrativa, Moçambique não conseguiu cumprir com os critérios de adesão à Iniciativa por uma maior Transparência nas Indústrias Extrativas – ITIE. O que, no seu ponto de vista, falta para Moçambique para cumprir com esses requisitos da ITIE?

	TS: O governo diz que o país não foi chumbado porque não existe esta categoria. Mas, a verdade é que o país não passou [na iniciativa]. Para não dizer que foi chumbado, podemos dizer que não foi admitido. Acho que é igual!

	O país não foi admitido porque não incluiu no processo da iniciativa todas as agências do governo que recebem dinheiro das empresas da indústria extrativa.

	Um caso concreto: o Instituto Nacional de Petróleos recebe muitos milhões de dólares de empresas que fazem prospeção de petróleo. Não há nenhum processo de prestação de contas desse dinheiro. As empresas que pagam esse dinheiro gostariam de saber; os cidadãos gostariam de saber o que é feito desse dinheiro. E isso não aconteceu.

	Há uma falta de inclusão, também, de todas as empresas que operam no setor extrativo – havia inicialmente uma lista de 23 empresas, que foi reduzida para seis.

	DW: Portanto, todas as empresas, independentemente do nível das suas receitas, deveriam estar dentro da análise e das publicações das contas para a ITIE?

	TS: Sim, o princípio básico, o princípio elementar que nunca foi entendido pelo governo, é que a iniciativa deve ser o mais abrangente possível. Tem que incluir todas as empresas que operam no país e todas as agências do governo que recebem benefícios das empresas – seja em espécie ou em dinheiro. Isso não foi feito.

	O país não foi admitido, em parte, por causa deste indicador. E agora estamos onde estamos – não fomos admitidos.

	Autor: Johannes Beck
	Edição: Renate Krieger</description>
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   <itunes:keywords>Thomas Selemane, Centro de Integridade Pública, CIP, Carvão, Tete, Moçambqiue, Mega-Projetos, Riversdale, Vale, Moatize</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sat, 5 Nov 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Em dez anos, Tete poderá ser &quot;barril de pólvora social&quot;</title>
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   <description>Opinião é do investigador Thomas Selemane, da ONG moçambicana Centro de Integridade Pública (CIP). Ele defende a renegociação &quot;indispensável&quot; dos chamados megaprojetos industriais. Oiça a primeira parte da entrevista. 
	Muitos consideram Moçambique o novo &quot;Eldorado&quot; em termos de recursos naturais. Porém, não é ouro que atrai os investidores – e sim carvão. Há poucos meses, a empresa brasileira Vale começou a extrair carvão em Moatize, na província de Tete no centro-norte de Moçambique.

	 

	Para saber se os chamados megaprojetos de exploração de recursos naturais em Moçambique podem ajudar a diminuir a pobreza no país, Johannes Beck, chefe da redação em Língua Portuguesa da DW, falou com Thomas Selemane, investigador do Centro de Integridade Pública (CIP), uma organização não governamental moçambicana.

	 

	 

	Selemane é considerado um dos melhores peritos moçambicanos nesta área – e alertou para o fato de que a exploração de carvão em Tete pode transformar a região num &quot;barril de pólvora social&quot; nos próximos dez anos.

	 

	O motivo: um grande fluxo de trabalhadores locais que não encontram em Tete as oportunidades que imaginam com a exploração de carvão por grandes empresas internacionais.

	 

	Confira a primeira parte da entrevista, abaixo, e no áudio a seguir.

	 

	Deutsche Welle: Moçambique poderia se tornar independente das doações internacionais com a exploração destes recursos minerais [a exemplo do carvão da bacia de Moatize]?

	 

	Tomás Selemane: Eu acho que sim. O orçamento de Estado pode deixar de depender da ajuda externa se forem tomadas medidas de garantia de que os grandes projetos paguem mais impostos e que a riqueza gerada pelas grandes multinacionais que estão em Moçambique seja, o máximo possível, retida na economia nacional.

	 

	Infelizmente, até agora, não há ações concretas neste sentido. É verdade que a lei fiscal foi modificada em 2007 e os incentivos foram reduzidos. Mas o principal é que os grandes projetos, os mais famosos, os maiores, foram negociados antes de 2007. O que quer dizer que a lei não se aplica àqueles projetos – só se aplica aos que vierem.

	 

	DW: Significa que Moçambique deveria renegociar estes contratos, que já fechou com as empresas – os donos destes megaprojetos?

	 

	 TS: Sim, deveria renegociar [os megaprojetos] – é o que toda a gente acha, inclusive dentro do governo. O próprio governador do Banco Central [moçambicano] é de opinião que é necessário renegociar os contratos com os megaprojetos, porque ele entende que a deterioração da balança de pagamentos de Moçambique tem piorado devido a esta situação. Há também, mais recentemente, por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial sinais claros de que são a favor da renegociação dos contratos.

	 

	É verdade que a renegociação em si não vai resolver o problema, mas é o primeiro passo necessário e indispensável para todo o resto que pode vir a acontecer.

	 

	DW: Quanto estas empresas [multinacionais] pagam em termos de impostos e de taxas alfandegárias?

	 

	TS: As emrpesas que operam neste momento têm taxas diferenciadas. Cada uma tem uma isenção diferente da outra. Mas, por exemplo, a SASOL [empresa petroquímica da África do Sul] tem uma isenção de 50% do IRPC (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas) – paga só metade. Em vez de 32%, paga 16% [em impostos]. A [concessionária irlandesa] Kenmare das areias pesadas [do distrito nordestino] de Moma, também tem isenção de metade do imposto, paga apenas metade do que é devido.

	 

	E há também cálculos do Banco de Moçambique que indicam que são entre 300 a 400 milhões de dólares que se perdem por ano devido aos incentivos fiscais.

	 

	Significa que, se os contratos forem renegociados e a situação for alterada, a balança de pagamentos, o orçamento de Estado arrecadará imediatamente a seguir cerca de 400 milhões de dólares. Isso equivale a cerca de metade da ajuda externa.

	 

	DW: Como ficará a situação de Moçambique nos próximos dez anos? Será que a exploração do carvão de Tete – que começou agora em 2011 – terá contribuído, daqui a dez anos, para a melhoria das condições de vida dos moçambicanos?

	 

	TS: Daqui a dez anos, não sabemos exatamente. Mas os sinais que existem atualmente indicam que não. Os sinais que existem atualmente – por exemplo, no caso de Tete – são sinais de mais empobrecimento, de sobrecarga da máquina administrativa do Estado, de fraca capacidade de resposta do tecido económico local, de altos níveis de migração interna de outras províncias de Moçambique para Tete – e dos países vizinhos para Tete.

	 

	Isso gerou uma onda, um grande número de desempregados em Tete, porque as pessoas acreditam e têm na mente que Tete é o &quot;Eldorado&quot; e é a terra onde há todas as oportunidades de negócio, de emprego etc. Vão para lá – [mas] muitas delas não têm a devida formação, a devida qualificação. E chegam lá, afinal não há emprego, não têm o que fazer, não têm onde morar ou dormir.

	 

	A nível social, é um &quot;barril de pólvora&quot; que a qualquer momento pode explodir, porque a cada dia vem mais gente, mais gente à busca de oportunidades – e, afinal, não há oportunidades. Então, daqui a dez anos, se estes sinais não forem eliminados, se esta tendência não for corrigida, teremos uma situação bem pior.

	 

	DW: Como se explica este paradoxo? De um lado, há empresas como a multinacional australiana-britânica Riversdale, ou a Vale, do Brasil, que estão a investir mais de mil milhões de dólares na abertura das suas minas de carvão na província de Tete, o que é muito dinheiro para um país relativamente pobre como Moçambique. Do outro lado, não há melhoria em relação à pobreza. As pessoas continuam pobres. Como é possível? 

	 

	TS: Isso é possível devido à natureza da economia – dominante, agora em Moçambique – de exploração de recursos naturais. Em qualquer parte do mundo, os grandes projetos, o grande capital, não é (sic) suposto gerar muitos postos de trabalho porque é intensivo em capital, utiliza menos pessoas e mais máquinas. E o número de pessoas que utiliza é, grosso modo, altamente qualificado – o que não há em Moçambique. Isso significa que não há criação de emprego, porque não é possível criar muitos empregos com aquele tipo de empreendimentos.

	 

	O que deveria ser feito – e não está a acontecer – é criar várias ligações entre os grandes empreendimentos e o resto da economia. Por exemplo: ligações tecnológicas, ou ligações de emprego, ou ligações de pequenas e médias empresas de fornecimento de bens e serviços. E essas pequenas e médias empresas iriam gerar mais postos de trabalho, e assim haveria transferência de ganhos, de dinheiro, das grandes empresas para as pequenas, através da compra de bens e serviços – e, assim, beneficiar-se-ia à outra camada da população que não está diretamente ligada ao grande empreendimento.

	 

	Isto não está a acontecer porque essas ligações não existem. Não há um tecido económico capaz de fornecer, por exemplo, bens alimentares aos grandes projetos, com a qualidade, a regularidade e a quantidade que as empresas necessitam.

	 

	DW: Portanto, as empresas o que fazem? Importam estes alimentos – carne, batatas, arroz – de outros países?

	 

	TS: Sim, importam de outros países, sobretudo da África do Sul. Isso não é culpa das empresas, apesar de haver uma percepção muito negativa para as empresas no terreno.

	 

	Por exemplo, em Tete, as pessoas têm uma percepção demasiado negativa das empresas porque [estas] não estão a dar emprego, pois não estão a comprar a alface que eles produzem, não compram o tomate que eles produzem.

	 

	Mas a questão é que a empresa não quer comprar dois quilos de tomate. Quer comprar duas toneladas por semana. E não há duas toneladas na qualidade que a empresa quer. A companhia quer, por exemplo, 1.500 quilos de frango por dia para as refeições que preparam. E não há esse frango. A única solução é recorrer ao mercado externo e trazer da África do Sul.

	 

	Recentemente, o governo obrigou as empresas a publicarem as oportunidades ou as necessidades de bens e serviços que tivessem primeiro nos jornais moçambicanos, para o empresariado local ter conhecimento disso. Mas o problema não está no fato de publicar-se primeiro em Moçambique e mais tarde no mercado exterior.

	 

	O problema está na falta de capacidade dos empresários moçambicanos, que não têm os benefícios que o Estado deu ao grande capital. Eles têm de pagar todos os impostos, não têm nenhuma isenção, não têm crédito bancário para produzir alface, tomate ou cebola, como o grande capital tem. Resultado: não há capacidade local para fazer face à demanda gerada pelos grandes projetos.

	 

	Nota da redação: a segunda parte da entrevista com Thomas Selemane fala sobre os efeitos da corrida ao carvão em Tete (confira também no link abaixo).

	 

	 

	Autor: Johannes Beck
	Edição: Renate Krieger / António Rocha</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Thomas Selemane, Centro de Integridade Pública, CIP, Carvão, Tete, Moçambique, Mega-Projetos, Riversdale, Vale, Moatize</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sat, 5 Nov 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>&quot;Negócios da China&quot; com cunho angolano</title>
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   <description>Grupo chinês prometeu reconstruir algumas das infraestruturas de Angola. Em troca do financiamento, pedia o petróleo angolano como garantia. Mas os projetos têm sofrido atrasos e há críticas à falta de transparência.
	Falta pouco mais de dois anos – 26 meses – para a conclusão total do novo aeroporto internacional de Luanda. Foi este o prazo que o governo angolano estabeleceu recentemente (22.10.2011) para o fim das obras. Mas a história deste projeto arrasta-se há bem mais tempo.

	Previa-se que o novo aeroporto fosse inaugurado a tempo do Campeonato Africano das Nações, em janeiro de 2010. A intenção era construir o maior aeroporto de África. O projeto de construção estaria a cargo da China International Fund (CIF), uma empresa chinesa. Mas a construção atrasou.

	O jornalista angolano Rafael Marques aponta uma razão para o atraso – a falta de experiência da empresa no ramo: “Onde é que esta empresa fez obras que justifiquem fazer um aeroporto internacional de grande porte? Não se conhece”.

	A China International Fund

	A China International Fund foi criada em 2003 e está sediada numa morada em Hong Kong, na China. Faz parte do chamado grupo de Queensway e entrou em Angola numa altura em que o país estava ainda a recuperar da guerra civil e precisava de infraestruturas.

	 Segundo Deborah Brautigam, professora na American University em Washington, nos Estados Unidos, e autora do livro “The Dragon’s Gift”, “O Presente do Dragão”, fatores pessoais terão influído na escolha da empresa chinesa: “Pelo que percebo, havia redes de conhecimentos e relações pessoais entre as elites angolanas e alguns dos responsáveis do grupo de Queensway. Eles conheciam-se”.

	Segundo um relatório de uma comissão do Congresso norte-americano, de 2009, a China International Fund já providenciou pelo menos 2,9 mil milhões de dólares a Angola para a reconstrução de infraestruturas.

	Mas ainda hoje os investigadores têm várias dúvidas quanto ao acordo feito com Angola. Deborah Brautigam diz que não se sabe muito bem qual o tipo de acordo de que estamos a falar. “O que sabemos é que a China International Fund é apenas um veículo de um conglomerado que conhecemos como grupo de Queensway”, diz. “Uma série de empresas que estão à procura de oportunidades. E há responsáveis em Angola que também estão à procura de oportunidades de investimento”.

	 

	A teia de relacionamentos entre as empresas do grupo Queensway, tal como é apresentada num relatório do centro de estudos inglês Chatham House, de 2009, apresenta uma certa complexidade. De acordo com o relatório, a China International Fund, que foi criada em 2003, pareceria constituir o ramo de construção da Beya International Development Ltd., uma companhia mãe da China Angola Oil Stock Holding Ltd, que negociaria com o petróleo angolano e estaria ligada à China Sonangol International Holding.

	O mesmo relatório refere ainda que a morada da China International Fund em Queensway, Hong Kong, serviria também de endereço a outros empreendimentos comerciais com ligações a Angola, incluindo a China Sonangol International Limited. Ainda de acordo com o relatório da Chatham House, entre os diretores da China Sonangol International Limited estaria Manuel Vicente, presidente da petrolífera estatal angolana, a Sonangol.

	Críticas à transparência

	Segundo a investigadora da Universidade de Londres, Lucy Corkin, a China International Fund tem financiado projetos em Angola, que utilizam o petróleo como colateral. E isso funciona como garantia para o financiamento.

	Tendo em conta a sua investigação, Corkin comenta, no entanto, que “porque a China International Fund parece estar a atuar como o financiador e o principal empreiteiro, isso tem implicações na forma como o empréstimo é levado a cabo. Mas como ninguém conseguiu ver o conteúdo dos contratos, é muito difícil perceber como eles funcionam”.

	 A falta de transparência é precisamente uma das críticas à China International Fund e ao grupo inteiro das empresas de Queensway.

	De acordo com Rafael Marques, só há duas pessoas em Angola que, neste momento, deverão conseguir explicar o que se passa com a China International Fund no país e para onde vai o dinheiro:

	“O presidente da Sonangol, Manuel Vicente, e o General “Kopelipa”, que até há pouco tempo era responsável pelo Gabinete de Reconstrução Nacional”, revela. Segundo o jornalista e ativista dos direitos humanos, “estes indivíduos apresentam hoje uma fortuna incalculável. Sobretudo desde que começou este projeto com os chineses. E criaram um império de várias empresas fazendo investimentos colossais sem conseguirem explicar a proveniência desse dinheiro”.

	De acordo com a revista inglesa The Economist, nos últimos sete anos o grupo de Queensway terá assinado contratos avaliados em milhares de milhões de dólares por petróleo, minérios e diamantes de África. A revista escreve num artigo de agosto de 2011 que estes acordos estão rodeados de secretismo e “parecem garantir ao grupo de Queensway condições bastante favoráveis”.

	Sobre a situação da China International Fund em Angola, Rafael Marques diz que a empresa normalmente atua “como intermediária”. Segundo Marques, “é o que os próprios chineses aqui têm dito: Têm os projetos, que não vão a concurso público, e depois inflacionam os valores das obras e subcontratam outras empresas chinesas a um valor muito inferior àquele que o contribuinte angolano paga para estas obras”.

	Projetos de relevo em Angola

	Os projetos que foram atribuídos à China International Fund podem ser consultados na página online da empresa. Incluem a construção de mais de 215 mil unidades de habitação, de autoestradas ou, por exemplo, da linha de caminho de ferro de Benguela. Incluem também o projeto de construção do novo aeroporto internacional de Luanda .

	De acordo com a imprensa local, na altura em que foi anunciado o novo prazo para o fim da construção do aeroporto, daqui a 26 meses, o Presidente da República Angolano, José Eduardo dos Santos, foi ao terreno ver as obras.

	Mas o jornalista angolano Rafael Marques relativiza a visita: “Em princípio, a grande aposta do atual regime tem sido a reconstrução nacional e têm sido feito promessas que não têm sido cumpridas. Daí a necessidade de renovar estas promessas”.

	Os atrasos da China Internacional Fund

	 O aeroporto está atrasado. A linha de caminho de ferro de Benguela, que atravessa o país de Benguela ao Luau, ainda não está totalmente reconstruída, apesar da sua conclusão ter sido inicialmente anunciada para agosto de 2007.

	A investigadora Lucy Corkin sugere um motivo para o atraso: “Segundo o meu entendimento sobre a forma como o projeto estava a ser conduzido, este era visto como um projeto-piloto. E decidiu-se avançar sem uma série completa de estudos de praticabilidade”, conta. “Penso que muitos aspetos da reconstrução do caminho de ferro não foram tidos em conta. Um deles, o facto de ser necessário desminar a maior parte das áreas em que a linha ia ser reconstruída”.

	Dificuldades de financiamento

	Mas as dificuldades não ficaram por aqui. De acordo com Corkin, em 2007/2008 a China International Fund teve também problemas financeiros.

	Em outubro de 2007, e na sequência de relatos sobre alegadas anomalias no funcionamento da linha de crédito da China, o Ministério das Finanças angolano, emitiu um comunicado em que afirma que tendo-se verificado alguns constrangimentos por parte do Fundo Internacional da China em mobilizar financiamento para completar os projetos em curso e para o início de novos, o governo instruiu o Ministério das Finanças “no sentido de obter no mercado interno um financiamento de 3,5 biliões (ou mil milhões) de dólares americanos através da emissão de Obrigações do Tesouro”.

	Talvez a China International Fund tenha tomado demasiados projetos em mãos, sugere Markus Weimer, investigador da Chatham House, de Inglaterra, e um dos autores do relatório “Sede de Petróleo Africano”:

	“A reconstrução da infraestrutura em Angola teve muitos reveses, também pelo facto de não se conseguir transportar mercadorias pelos portos tão rápido quanto era preciso”, conta. “Portanto, houve este género de impedimentos, que restringiram os projetos e os atrasou. Talvez tenha sido um problema de gestão: prometeram demasiadas coisas que não puderam concretizar”.

	 Benefícios?

	Rafael Marques coloca um ponto de interrogação quanto aos benefícios que os negócios entre a China International Fund e Angola trouxeram para os angolanos: “Caso fosse um negócio transparente, para o benefício do povo angolano, o governo seria o primeiro a publicitá-lo. E o governo não o faz precisamente porque é um acordo extremamente opaco e corrupto”.

	Sendo assim, uma maioria da população angolana sairia a perder com estes “negócios da China” com cunho angolano.

	Contactámos a China International Fund e a Sonangol, mas as empresas não responderam à nossa proposta de entrevista.

	Autor: Guilherme Correia da Silva

	Edição: Johannes Beck</description>
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   <itunes:keywords>Angola, China, China International Fund, Queensway, China Sonangol International Limited</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 28 Oct 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Adeus Sines! O centro emissor da DW em Portugal encerra</title>
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   <description>A DW construiu a estação no ano de 1970 em plena guerra fria. Teve muita importância estratégica durante décadas, mas vai deixar de transmitir a partir do dia 30 de outubro de 2011. Saiba mais sobre a história de Sines.
	Foi no mês de Junho de 1970, que a Deutsche Welle inaugurou o centro emissor de onda curta de Sines. Hoje as antenas da emissora estão na vizinhança da central termoeléctrica e das fábricas do pólo industrial de Sines. Porém, naquele ano da inauguração, 1970, a vila de Sines – situada na costa alentejana – não dispunha então de indústria, o porto de águas profundas ainda não existia.

	 

	Na altura ainda não existia a possibilidade de usar satélites para passar o sinal áudio dos estúdios da Alemanha aos emissores em Sines. Assim, a Deutsche Welle, a Voz da Alemanha, montou uma estação receptora em Sesimbra, cerca de 50 quilómetros a norte de Sines. Mais tarde, em 1990, foi encerrada a estação de Sesimbra, já que o sinal passou a ser distribuído por satélite.

	 

	 Localização ideal para a Europa do Leste 

	 

	&quot;Era para melhorar as condições técnicas para receber as emissões da DW lá nas partes da Europa do Leste. As emissões da DW até essa data foram feitas da estação da DW em Jülich&quot;, explica Hans-Josef Klein, que entre 1973 e 1975 foi o chefe da administração da emissora em Sines.

	 

	Ele explica por que razão esta opção por este território da costa alentejana: &quot;Das condições geográficas Sines era e é um lugar ótimo para transmitir emissões de rádio em ondas curtas, por causa da distância até à Europa do Leste, especialmente à então União Soviética e outros países para os quais a DW fez e faz emissões.&quot;

	 

	Em pleno regime salazarista, no Estado Novo, Portugal oferecia condições ideais para isso. Mas, foi preciso obter licença para criar a Rádio Trans Europa, uma empresa criada para gerir a estação emissora em Sines. Mais tarde, a estação passou a ser administrada pela Profunk, empresa filial da Deutsche Welle, que até hoje representa os interesses da rádio internacional alemã em Portugal.

	 

	Além das condições técnicas e geográficas, a aposta em Portugal fazia parte da estratégia de países ocidentais, como a Alemanha, para travar o avanço do comunismo no mundo.

	 

	A partir de Dezembro de 2009, já numa outra era, o senhor Klein – como é aqui chamado – volta a assumir a direção da Estação em Sines. Lá trabalharam 16 pessoas pela DW, técnicos e engenheiros, que mantiveram os serviços 24 horas por dia.

	 

	 Onda Curta Digital - a modernização da estação

	 

	O engenheiro João Rodrigues trabalha na estação desde 1990, ainda no tempo dos antigos emissores Marconi. Mostra-nos, onde é recebido o sinal para as emissões: &quot;A nossa cabine satélite é onde temos os nossos receptores, onde recebemos todas as emissões vindas dos vários satélites. Tem de estar neste ambiente protegido para não haver interferências.&quot;

	 

	Na cabine estão presentes várias gerações de equipamentos para receber vários canais, diz João Rodrigues: &quot;Temos os canais da DW, temos canais da BBC, temos canais da BABCOCK, temos alguns canais que é o stream do DRM – Digital Radio Mondiale, que é uma emissão digital de onda curta em que o ouvinte pode ter uma qualidade semelhante ao FM ou semelhante ao CD.&quot;

	 

	O equipamento moderno é o resultado de vários investimentos na estação desde 1992. &quot;Houve então o up-grade dos emissores, que são automáticos, poupam energia. Para além disso também foram instaladas três antenas – primeiro duas antenas rotativas; um pouco mais tarde uma terceira antena rotativa, que nos permite emitir para qualquer parte do mundo&quot;, conclui João Rodrigues. &quot;Digamos, temos um ângulo de 360 graus.&quot;

	 

	Com as antenas rotativas, Sines começou a transmitir para África e a América Latina. Assim, a DW conseguiu prolongar o tempo útil da estação. Pois, com o fim do comunismo no Leste da Europa, as emissões para esta região perderam importância.

	 

	 Entre 1999 e o ano 2000, têm início então as emissões em DRM, tendo o centro sido pioneiro na implementação desta tecnologia digital em onda curta. Pelo rigor e capacidade técnica, Sines veio a ocupar o primeiro lugar nas estatísticas de performance da DW de estações equiparadas.

	 

	Francisco Milho, operador rádio, cumpre o turno do dia. Com 20 anos de casa, ele mostra-nos a sala que comporta os três emissores de maior rentabilidade. &quot;Estes equipamentos são os novos, vieram substituir os emissores antigos Marconi. São de uma nova tecnologia, equipamentos mais modernos, mais fiáveis.&quot;

	 

	Para além da DW, muitas outras estações também emitiram de Sines

	 

	 Equipamento que também foi usado nos últimos anos por muitas outras estações para além da DW. A sua congénere portuguesa, RTP, usou os emissores para transmissões da RDP Internacional durante décadas e mesmo depois de ter suspendido as suas outras emissões por onda curta em meados de 2011.

	 

	Nos mais de 40 anos de existência de Sines, os emissores da estação foram alugados por muitas rádios internacionais: emissoras cristãs como a Rádio Renascença, IBRA Rádio ou a Adventist World Radio – AWR e por emissoras internacionais como a RCI – Rádio Canada Internacional e a NHK – a Rádio Japão.

	 

	Mesmo com o abandono da onda curta por muitas estações, para Carlos Mourato, operador rádio-técnico e há muitos anos técnico da estação de Sines, a onda curta continua a ter uma importância vital: &quot;Isto porque o alvo principal das estações de ondas curtas são aquelas pessoas que não têm acesso aos modernos meios de multimédia e que são muitas centenas de milhões a nível de África, da América do Sul, de Ásia. Com o encerramento das estações de ondas curtas vêem-se privadas de uma informação credível e independente.&quot;

	 

	Menos emissões de rádio, menos onda curta

	 

	As emissões da DW para a Europa e a América Latina em onda curta terminam no dia 30 de outubro, dia em que a DW deixa de transmitir em alemão. Houve também muitos cortes em outras línguas. Mantêm-se no futuro apenas as transmissões em onda curta para o continente africano – em português, inglês, francês, suaíli, haúça e amárico – e as emissões em mais algumas línguas asiáticas como pashtu e dari para o Afeganistão.

	 

	 Como muitas outras rádios internacionais também abandonaram ou diminuíram as emissões por onda curta, sobram poucas emissões. Tão poucas que a DW decidiu manter das suas três estações apenas uma: Kigali, no Ruanda, que serve o continente africano. Os emissores em Sines, Portugal, como também em Trincomalee no Siri Lanka, serão encerrados.

	 

	Em tempo de crise, como nos confirmou Hans-Josef Klein, o plano estratégico da Deutsche Welle para os próximos quatro anos obriga a isso, de modo a concentrar os recursos para a reorganização, apostando na rádio apenas para África a algumas partes da Ásia, bem como na televisão e na internet no resto do mundo.

	 

	Decisão que deixa os trabalhadores tristes e com saudades, já que perderam o seu emprego. Dona Gertrudes, empregada desde Setembro de 1970, tem saudades do ambiente de trabalho e lamenta o encerramento da estação emissora de Sines da DW: &quot;A minha relação com as pessoas foi sempre boa e de muita saudade de todos. O ambiente de trabalho aqui foi sempre bom, sempre… tanto para mim como para os meus colegas.&quot;

	 

	Dito isto, a partir de 30 de outubro, haverá silêncio nas frequências operadas até agora desde Sines. As emissões em português serão asseguradas pelos emissores da DW em Kigali e por outras estações alugadas.

	 

	Autor: João Carlos
	Edição: Johannes Beck</description>
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   <itunes:keywords>Sines, Emissor, dw, Portugal, Relais, Onda Curta, DX, OC, Deutsche Welle, Rádio Trans Europa</itunes:keywords>
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   <pubDate>Tue, 25 Oct 2011 13:12:00 GMT</pubDate>
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   <title>Pescadores do Malauí lutam pela sobrevivência</title>
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   <description>É do Lago Niassa que provém a principal fonte de proteínas para os malauianos, predominantemente pobres: o peixe. No entanto, nos últimos anos, os pescadores têm vindo a encontrar cada vez menos peixe. 
	O Malauí, um país situado no interior da região sul do continente, tem mais de 500 quilómetros de costa, nomeadamente no terceiro maior lago africano, o Lago Niassa.

	 

	 Durante gerações, os peixes usipa e chambo foram um ingrediente importante na gastronomia tradicional do Malauí. Hoje, porém, o Lago Niassa encontra-se sobreexplorado.

	 

	Para muitos pescadores é mais importante ter redes cheias a curto prazo do que a conservação de recursos a longo prazo. No entanto, se não for encontrada uma solução, o chambo poderá vir a desaparecer da ementa dos malauianos.

	 

	Mercy Kayange da Malawi Broadcasting Corporation e Mathias Bölinger da Deutsche Welle foram ver como os pescadores têm reagido ao problema da escassez de peixe. Um Contraste apresentado por Madalena Sampaio.

	 

	Autor: Madalena Sampaio

	Edição: Johannes Beck</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Malauí, pesca, Lago Niassa, usipa, chambo</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sat, 22 Oct 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>&quot;Geração à rasca” em Portugal luta pelo futuro</title>
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   <description>Os jovens portugueses estão “à rasca” mas não se deixam abater com o desemprego e a precariedade laboral. Tentam &quot;desenrascar-se&quot; como podem, em táxis ou &quot;call centers&quot;. E vão para as ruas reivindicar os seus direitos. Têm entre 21 e 35 anos, estudaram, estagiaram, fizeram tudo o que lhes disseram para fazer, mas acabam por não conseguir arranjar emprego. Outros conseguem trabalho, mas um trabalho precário, a curto prazo, a receber pouco, sem contrato de emprego.

Em Portugal, a crise económica e financeira não tem fim à vista e leva a medidas duras de austeridade, que se repercutem negativamente no mercado de trabalho. Os jovens são os primeiros a sofrer as consequências. E face às poucas perspectivas de futuro, muitos vão para as ruas mostrar o seu descontentamento, como aconteceu no protesto de 15 de Outubro, em Lisboa.

Guilherme Correia da Silva esteve em Portugal e falou com alguns jovens desta &quot;Geração à Rasca&quot;.

Autor: Guilherme Correia da Silva
Edição: Cristina Krippahl</description>
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   <pubDate>Fri, 21 Oct 2011 18:01:00 GMT</pubDate>
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   <title>Estados Unidos: Protestos contra a crise crescem e multiplicam-se</title>
   <link>http://www.dw.de/dw/article/0,,6637191,00.html?maca=bra-podcast-pt-contraste-3058-xml-mrss</link>
   <description>Em Nova Iorque, em Washington e noutras cidades norte-americanas, os manifestantes ocupam há várias semanas lugares públicos e protestam contra a interligação entre os mercados financeiros e a política. Não têm agenda nem líder, mas têm uma missão: mostrar aos banqueiros e aos patrões de Wall Street, a Bolsa de Nova Iorque, que estão cansados de pagar as suas contas. O movimento “Occupy Wall Street” (em português, Ocupar Wall Street) mantém-se ativo há várias semanas e já se espalhou por muitas outras cidades norte-americanas.

Na capital dos Estados Unidos, Washington, os manifestantes estão acampados desde o dia 1 de Outubro na McPherson Square, na baixa. “Criem postos de trabalho e não cortes” é um dos seus lemas. 

Noventa e nove por cento tem de trabalhar duro enquanto um por cento aproveita a vida - esta é a mensagem central de todos os movimentos que agora estão a protestar nos Estados Unidos para mais justiça social. Olham para o Egito e para a Tunísia e vêem as atuais inquietações sociais como modelos.


 A questão não é porque é que as pessoas “normais” só agora saem para as ruas, mas sim porque é que isso não aconteceu há muito mais tempo tendo em conta o aumento da injustiça social. A isso junta-se uma percentagem de nove por cento de desemprego e um elevado nível de insatisfação dos norte-americanos face ao Congresso. Além disso, muitos estão desiludidos com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. 

O movimento de protestos, que também já chegou a cidades como Boston, Chicago e Los Angeles, necessita do apoio de sindicatos com dinheiro e com muitos membros, defende o especialista em estudos americanos Thomas Vernon Reed. O autor do livro “A arte do protesto: cultura e ativismo – dos movimentos de direitos civis às ruas de Seattle” acredita que o movimento “Ocupar Wall Street” e as suas réplicas podem transformar-se em algo muito grande.

Uma reportagem de Christina Bergmann apresentada por Madalena Sampaio.

Autora: Madalena Sampaio
Edição: Johannes Beck</description>
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   <pubDate>Sat, 15 Oct 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mutilação Genital Feminina - parte 5: Trabalho de sensibilização</title>
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   <description>É antes um diálogo e não uma luta. Uma reflexão sobre crenças locais e não o julgamento de tradições. Este é o método comum a duas ONGs no seu trabalho rumo ao abandono da MGF e à proteção de mulheres afetadas. 
	Dois continentes, duas realidades, dois objetivos que se complementam: em África, o esforço pelo abandono da prática da mutilação genital feminina; na Alemanha, o acompanhamento de mulheres afetadas.

	 

	
		&quot;A mutilação genital feminina é necessária para que as mulheres tenham filhos normais.&quot;
	
		&quot;O clítoris mata os bebés ao tocar-lhes quando nascem.&quot;
	
		&quot;Uma mulher não excisada está permanentemente excitada.&quot;
	
		&quot;Uma mulher não excisada não é fiel ao seu marido.&quot;
	
		&quot;O homem que tiver relações sexuais com uma mulher não excisada fica impotente.&quot;
	
		&quot;Se uma mulher não excisada pisar um campo, a colheita seca.&quot;


	 

	Crenças como estas são passadas há séculos de geração em geração. São elas que alimentam a prática da mutilação genital feminina, uma prática que, segundo a organização não-governamental Plan International, ajuda a definir a cultura e a identidade de quem a mantém. Um estudo realizado por esta organização na África Ocidental conclui que não será condenando os seus aspetos culturais que se conseguirá obter mudanças no seio das comunidades. Estas terão de vir de dentro.

	 

	Diálogo com o pessoal médico na Alemanha…

	 

	&quot;Algumas mulheres excisadas contam que a primeira reação das suas ginecologistas aqui na Alemanha foi de choque e mesmo de nojo&quot;, conta Franziska Gruber da Terre des Femmes. No país, &quot;ainda é por acaso que um médico está informado sobre o tema – ou não&quot;.

	 

	A mutilação genital feminina não consta entre as opções do formulário que os médicos têm de preencher para apresentar às seguradoras das suas pacientes. Alguns médicos recorrem, então, a razões falsas, como anomalias de nascença, para que as mesmas seguradoras assumam os custos das operações necessárias. Caso contrário, as pacientes arriscam-se a que as suas seguradoras interpretem as intervenções como cirurgias plásticas.

	 

	Mas estas mulheres não nasceram sem clítoris, não nasceram sem os pequenos nem os grandes lábios. Quando nasceram, a sua vagina também não estava reduzida a uma pequena abertura.

	 

	… e em África

	 

	Também na Guiné-Conacry o pessoal médico constitui um obstáculo. Os seus salários são baixos e a mutilação genital feminina constitui uma segunda fonte de rendimento. Além disso, explica Alice Behrendt, da Plan International, &quot;eles dizem que o tipo de excisão que fazem é muito menos invasivo, porque cortam muito menos&quot;. Ou então, nem retiram nada, fazem apenas uma simulação da operação.

	 

	Só que esta tendência leva a população a pensar que, se até os doutores e as enfermeiras o fazem, então tem de ser algo bom. Daí que cada vez mais famílias recorram ao pessoal médico para operar as suas filhas. Quem perde de uma forma ou de outra são as mulheres que tradicionalmente fazem a operação, as fanatecas – por um lado, porque vêem a sua fonte de rendimento ameaçada; por outro, porque perdem o seu estatuto na comunidade.

	 

	 

	 Diálogo com as autoridades em África…

	 

	Alice Behrendt lembra-se de que, numa região da Guiné-Conacry, a organização parceira da Plan International teve a sorte de trabalhar com o imã de uma aldeia, homem viajado. E numa reunião, em que os homens da aldeia discutiram o papel religioso da mutilação genital feminina, o imã disse:

	 

	&quot;Eu estive na Arábia Saudita e lá, as mulheres não são excisadas. Se, em Meca, as mulheres não têm de se submeter à mutilação genital, porque é que o têm aqui?&quot;

	 

	Numa outra localidade, o próprio chefe da aldeia decidiu falar com os outros homens e discutir com eles a questão: &quot;Será mesmo necessário que, hoje em dia, a nossa aldeia continue com essa prática?&quot;

	 

	… e na Alemanha

	 

	A Terre des Femmes recolheu 21.000 assinaturas na Alemanha. Quem assinou o documento, pediu que a mutilação genital feminina seja introduzida nos formulários de diagnóstico médico e nos sistemas de faturação das seguradoras alemãs. Franziska Gruber, da Terre des Femmes, queixa-se de que as autoridades políticas alemãs se esquivam da responsabilidade, que dizem que nem sequer sabem ao certo quantas mulheres afetadas vivem na Alemanha, que presumem que seja um número relativamente baixo, que não justifica a sua ação.

	 

	No país, não há sequer uma lei que penalize os pais que enviam as filhas – por exemplo, durante as férias – para os seus países de origem, a fim de serem submetidas à mutilação genital.

	 

	Diálogo com os pais

	 

	&quot;Quando foste levada para a floresta para participares no ritual de iniciação, quantas meninas estavam contigo? E ela diz: ao todo, éramos 20. E quantas regressaram da floresta? 18. O que aconteceu com as outras duas?&quot;

	 

	Alice Behrendt reproduz uma técnica de diálogo com as mães de meninas em risco de serem excisadas. A psicóloga alemã diz que as mulheres sabem quais as possíveis consequências da mutilação genital feminina, mas dizem que as meninas &quot;foram levadas pelos espíritos maus da floresta&quot;.

	 

	 &quot;Na verdade, essas meninas morreram devido a hemorragias&quot;, diz Alice Behrendt. Que, nestes casos, não foi o mau olhado ou os espíritos da floresta que mataram as meninas, mas antes as consequências do ato de mutilação em si, sobre isso, diz Alice Behrendt, é preciso falar com as mães.

	 

	Na Guiné-Conacry, as operações mais frequentes da mutilação genital feminina são as de tipo 1, em que o clítoris é retirado parcial ou totalmente, e as de tipo 2, em que além do clítoris, também os pequenos e, por vezes, os grandes lábios são cortados. Estes tipos de mutilação costumam ter consequências menos dramáticas do que, por exemplo, uma infibulação.

	 

	Alice Behrendt está convencida de que, sem argumentos baseados na medicina, não é possível conseguir grandes mudanças no pensamento de muitas mulheres africanas.

	 

	Mas quando se chega a diálogo e este é bem aceite pela comunidade, as mudanças começam a surgir. O fim é o ritual de iniciação alternativo: uma combinação de conhecimentos tradicionais com elementos modernos, em que as meninas ouvem mulheres mais velhas falar sobre como era a mutilação genital feminina.

	 

	 

	* O spot &quot;11 segundos&quot; usado neste programa foi gentilmente cedido pela Terre des Femmes; o som ambiente de um ritual de iniciação alternativo consta de um filme da Plan International.

	 

	Autora: Marta Barroso

	Edição: Helena de Gouveia/Johannes Beck</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>mutilação genital feminina, Guiné-Conacry, África, Alemanha, Plan International, Terre des Femmes</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 14 Oct 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mutilação Genital Feminina - parte 4: o papel dos homens no abandono da prática</title>
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   <description>Não casar significa em muitas sociedades, onde a mulher não tem acesso a fontes de rendimento, uma ameaça existencial. Por isso só é possível deixar a mutilação envolvendo os pais, os maridos e os líderes religiosos.
	&quot;Tradicionalmente tudo o que tem a ver com a educação das meninas é tido como um assunto de mulheres. E esse foi um erro cometido no início pelas ONGs que lutavam contra a mutilação genital feminina: trabalhar apenas com mulheres&quot;, é a experiência de Franziska Gruber, ativista da ONG alemã &quot;Terre des Femmes&quot;.

	 

	&quot;A experiência mostra que é muito importante envolver os homens. Porque estes em última análise são a razão pela qual a mutilação é praticada&quot;, Franziska Gruber está convicta que a mudança só é possível tendo em consideração a componente masculina.

	 

	 Desigualdade de género 

	 

	Nos países onde se pratica a mutilação genital feminina esta é uma manifestação de desigualdade de género profundamente enraizada em estruturas de ordem social, económica e política. Tal como a extinta prática de enfaixamento dos pés das mulheres na China, a mutilação representa uma forma de controlo social sobre as mulheres e a sua vida sexual. “Mulheres excisadas são vistas como puras, como mulheres fiéis, como mulheres que chegam virgens ao casamento”, explica Franziska Gruber.

	 

	Nas comunidades onde é praticada de uma forma generalizada a mutilação é geralmente defendida de forma acrítica quer por mulheres, quer por homens. E quem a ela se opõe pode estar sujeito à perseguição, à desonra e ao ostracismo. O medo de ser excluído socialmente ou de não arranjar um marido contribui para perpetuar esta prática.

	 

	Não casar significa em muitas sociedades, onde a mulher não tem acesso a fontes de rendimento, uma ameaça existencial. Por isso é muito difícil conseguir que a mutilação seja abandonada sem envolver os homens: pais, maridos, líderes religiosos e a comunidade alargada.

	 

	Amdou Kani é um pai que dá a cara contra a mutilação numa campanha da UNICEF. “Eu tomei a decisão de não excisar a minha filha. A família em África pressionou-me muito. Mas sou inflexível nesta questão. No século em que vivemos é inimaginável que uma mulher seja mutilada”.

	 

	 

	 

	O benefício de casar com uma mulher intacta

	 

	Apesar de a mutilação genital feminina ainda ser vista por muitos homens como um “assunto de mulheres”, há estudos que mostram que alguns homens se preocupam com as consequências físicas e psicológicos da mutilação e que preferem casar com mulheres que não tenham sido sujeitas a esta prática.

	 

	&quot;É importante tornar claro aos homens que eles beneficiam do facto de terem uma mulher intacta. Uma mulher sem dores no acto sexual, que não corre o risco de perder o bebé durante o parto&quot;, sublinha Franziska Gruber. &quot;É por isso importante envolver os homens e os líderes religiosos porque eles têm peso nas suas aldeias ou cidades. Se estes líderes disserem que a mutilação genital não tem nada a ver com o Corão então eles também podem dar um importante contributo para que esta prática acabe”.

	 

	Nenhum livro sagrado prescreve a excisão.

	 

	Nalgumas comunidades a mutilação é suportada por crenças de ordem religiosa. Ainda que esta prática possa ser encontrada entre cristãos, judeus e muçulmanos, nenhum dos seus livros sagrados prescreve a excisão.

	 

	O Íman da Mesquita Central de Lisboa, Sheikh David Munir, é muito claro na condenação da prática: &quot;Esta prática nada tem a ver com o Islão, pelo contrário o Islão condena. Esta prática é um pecado&quot;.

	 

	Um programa da autoria de Helena de Gouveia.

	 

	Autora: Helena de Gouveia
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>mutilação genital feminina, excisão, Terre des Femmes, desigualdade de género, papel dos homens</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 7 Oct 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>A madeira amigo do Gorila - silvicultura sustentável no Congo Brazzaville</title>
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   <description>No Congo Brazzaville podem-se observar alguns exemplos de como algumas empresas madeireiras tentam conciliar os seus interesses económicos com os interesses ecológicos. O objetivo é praticar uma silvicultura sustentável.
	A selva tropical de Ouesso cobre o norte do Congo Brazzaville. É aqui que atua a empresa suiço-alemã IFO, a &quot;Industrie Forestière d’Ouesso&quot;, uma afiliada do grupo Danzer, uma das maiores multinacionais do setor das madeiras a nível mundial.

	A IFO faz parte das empresas madeireiras que decidiram tomar medidas concretas para que a sustentabilidade da atividade seja assegurada. O objetivo é evitar que se corte demasiada madeira, ou seja que se abatam árvores, sem assegurar que o espaço circundante se possa regenerar.

	Se essas regras fossem respeitadas, isso poderia ajudar a proteger espécies em perigo, como os gorilas do Congo. Na área florestal sob concessão da empresa IFO, a &quot;Industrie Forestière d’Ouesso&quot;, vivem cerca de 36.000 gorilas, o que corresponde a cerca de um terço de todos os gorilas existentes na África Central. As zonas de maior densidade de populações de gorilas - diga-se - encontram-se no meio da área de concessão da IFO. Daí a grande responsabilidade - que segundo as organizações ecologistas - cabe à Industrie Forestière d’Ouesso.

	Os pros e contras da silvicultura sustentável

	Alguns ecologistas são de opinião que é possível manter estável o número de gorilas em áreas de abate de madeiras, mas para isso os madeireiros devem respeitar minuciosamente as regras de abate estabelecidas e reconhecidas internacionalmente.

	No entanto, os ambientalistas também salientam os pontos problemáticos nas áreas concessionadas aos madeireiros: nem sempre o abate é feito em consonância com as regras nacionais e internacionais. Corta-se demasiada madeira, por vezes sem o conhecimento das autoridades e o transporte é sempre feito por enormes vias de terra batida que são abertas no meio da floresta. Essas estradas abrem o caminho a todo o tipo de elementos indesejáveis, entre eles os próprios caçadores furtivos.

	Uma reportagem de Carine Debrabandère adaptada por António Cascais.

	 

	Autor: António Cascais
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Congo Brazzaville, gorilas, madeira, madeireiras, Industrie Forestière d’Ouesso, IFO, África Central</itunes:keywords>
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   <pubDate>Thu, 6 Oct 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Nigéria: Como se vive hoje em dia a tradição das &quot;salas de engorda&quot;?</title>
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   <description>Em algumas sociedades africanas ser-se gordo é sinónimo de estatuto e poder. No caso das mulheres gordura é, literalmente, formusura.
	Nos estados de Cross River e Akwa Ibom, no sudeste da Nigéria, existe uma tradição antiga. As mulheres passam meses na “Fattening Room”, em português “sala de engorda”, com o objectivo de serem preparadas para o papel de esposa e mãe.

	Depois da sua estadia aqui as jovens mulheres devem parecer mais bonitas e ficar mais gordas e assim demonstrar que a sua família tem os meios suficientes para preparar uma mulher para o casamento. Antes, nestas “salas de engorda” era praticada também a mutilação genital, uma prática que é proibida por lei desde 2001.

	Uma reportagem de Djenneba Obot, que nos conta como se vive nos dias de hoje a tradição da &quot;sala de engorda&quot;. Um Contraste apresentado por Helena de Gouveia.

	 

	 

	Autora: Helena de Gouveia
	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Nigéria, Cross River, Akwa Ibom, Fattening Room, sala de engorda, gordura, casamento, mutilação genital</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sat, 1 Oct 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mutilação Genital Feminina - parte 3: Guiné-Bissau diz sim à tradição e não à mutilação</title>
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   <description>Após dezasseis anos e um intenso debate público, a Assembleia Nacional aprovou, em Junho de 2011, uma lei que proíbe a mutilação genital feminina. Mas ainda há muito a fazer para que as fanatecas pousem as facas.
	A luta contra a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau tem sido feita de avanços e retrocessos. O primeiro projeto de lei contra esta prática, rejeitado pelos parlamentares guineenses, data de 1995. A guerra civil de 1998-1999, seguida de instabilidade política, de um golpe de Estado e de um novo período de instabilidade não ajudou.

	 

	Foram precisos dezasseis anos e um intenso debate público para que a Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau aprovasse, em Junho de 2011, uma lei que proíbe esta prática. &quot;Penso que foi um passo importante”, sublinhou o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior. &quot;Nós temos de enfrentar os desafios da modernidade&quot;.

	 

	Todavia o otimismo do político é mitigado pela realidade. As tradições são formadas ao longo de muitas gerações e é preciso um trabalho gradual e muita paciência para acabar com práticas milenares como a mutilação genital feminina.

	 

	Um longo caminho pela frente 

	 

	&quot;Ainda há muito por fazer na Guiné-Bissau&quot;, afirma Fatumata Baldé, Presidente da Comissão Nacional para o Abandono de Práticas Nefastas.

	 

	&quot;Não podemos pensar que adoção de uma lei, automaticamente irá pôr fim a essa prática. Não, pelo contrário: a partir de agora temos de arregaçar as mangas e irmos ao terreno para começarmos novamente com as secções de informação e sensibilização das nossas comunidades&quot;. 

	 

	Na Guiné-Bissau, segundo a UNICEF há entre 300 a 500 mil meninas e mulheres que foram vítimas de clitoridectomia, excisão total ou parcial do clítoris, e nalguns casos de infibulação, que consiste em fechar a abertura vaginal.

	 

	Quem pratica a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau

	 

	 As comunidades onde se efectua a mutilação vivem no Leste da Guiné-Bissau, nas regiões de Bafatá e Gabú, no Norte, em Oio e Cacheu, e no Sul, em Quinara, Tombali e Bolama-Bijagós.

	 

	A mutilação é praticada nos grupos étnicos dos Fulas, Mandigas, Nalus, Susus e Beafadas, que são grupos islamizados. Mas também meninas de grupos étnicos animistas, como os Balantas e os Papéis, participam nos fanados.

	 

	O fanado é um ritual de iniciação extremamente valorizado pelas comunidades islamizadas guineenses, isto apesar da excisão não ser um preceito corânico. O ritual do fanado pode durar até seis semanas e culmina com a excisão das meninas.

	 

	O diálogo com as fanatecas é uma vertente privilegiada para mudar mentalidades e acabar com a mutilação. Fanta Baldé é uma fanateca que diz ter abandonado o corte. Ela descreve a mutilação das meninas, dos cinco aos quinze anos, em poucas palavras: &quot;Tapa-se o rosto, abrem-se as pernas e corta-se o clítoris. Usa-se a mesma faca para toda a gente&quot;.

	 

	Os riscos para a saúde das meninas 

	 

	Fanta Baldé diz conhecer os riscos da mutilação para a saúde das meninas e no momento do parto, assim como o perigo de transmissão do vírus da SIDA. Contudo, interroga-se se quanto ao seu ganha-pão: &quot;Sim, sabemos que há riscos, mas se pararmos onde vamos buscar o dinheiro?&quot;

	 

	É contudo possível manter a tradição, envolvendo as fanatecas e abandonar o corte. Entre 2001 e 2003 uma ONG guineense, a Sinin Mira Nassiquê, que significa olhar o futuro, na língua mandinga, com o financiamento da ONG alemã Weltfriendensdienst , levou a cabo em todo o país cinco fanados &quot;Ki Kudjidu&quot;. Fanados alternativos que mantém o que o ritual tem de positivo, eliminando as práticas nefastas que lhe estão associadas.

	 

	&quot;A única diferença é que no fanado alternativo não se usa a faca, não se faz excisão. Mas nós aproveitamos toda a cultura boa e trabalhamos com as meninas que estão no fanado alternativo. Fazemos tudo menos a excisão&quot;. Este fanado alternativo, de que fala Maria Domingas Gomes, presidente da Sinin Mira Nassiquê, foi suspenso por falta de financiamento. Custava anualmente cerca de 20 mil euros. 

	 

	Nova campanha no terreno

	 

	Em 2010 reiniciou-se na Guiné-Bissau uma nova campanha de luta contra a mutilação, que envolve cinco ONGs guineenses. O projeto denominado DJINOPI, que significa, “vamos para a frente”, é financiado pela Weltfriendensdienst e envolve toda a comunidade.

	 

	O DJINOPI prevê apoios às fanatecas para que encontrem alternativas profissionais que lhes garantam um rendimento e a manutenção do prestígio social. Algumas delas são agora animadoras e trabalham nas comunidades para acabar com a excisão. Mantém as suas insígnias e o seu papel de guardiãs da tradição, mas abandonaram a faca.

	 

	&quot;Estamos a fazer o recenseamento de fanatecas: outrora tínhamos aquelas que entregaram as facas eram 80 a nível nacional. Mas como surgem todos os dias as fanatecas novas não temos uma ideia&quot;, diz Maria Domingas Gomes.

	 

	A abordagem passa também pela educação, apoiando o ensino das crianças, principalmente nas zonas rurais, onde a taxa de analfabetismo chega a 90 por cento. &quot;Alfabetizando as pessoas, porque aquelas, que já tem escolaridade, sabem qual é a consequência da excisão e já não deixam as suas filhas&quot;, explica Maria Domingas Gomes.

	 

	Sim à tradição e não à mutilação

	 

	Com a aprovação da lei que criminaliza a mutilação genital feminina deu-se um passo importante passo em frente.

	 

	Mas o combate ainda não está ganho na Guiné-Bissau. É preciso continuar a trabalhar para que se diga sim à tradição e não à mutilação.

	 

	Um programa da autoria de Helena de Gouveia.

	 

	Autora: Helena de Gouveia

	Edição: Johannes Beck</description>
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   <pubDate>Thu, 29 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mutilação Genital Feminina - parte 2: Riscos físicos e mentais para a mulher</title>
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   <description>Os nomes da tortura são muitos: Kakia, no Togo, Sunna, no Sudão, Fanado, na Guiné-Bissau. Uma vez concretizada a mutilação é irreversível. Se a vítima sobreviver irá sofrer consequências físicas e psicológicas. 
	Apesar do esforço global para acabar com este crime contra os direitos humanos, a mutilação genital feminina, também conhecida pela sigla inglesa FGM, Female Genital Mutilation, continua ser praticada em pelo menos 28 países africanos, na Ásia e no Médio Oriente.

	Devido aos movimentos migratórios alastrou-se a outras partes do globo como a Europa e a América do Norte. A Alemanha, a França, o Reino Unido e Portugal não são excepção. Vivem na Europa meio milhão de meninas e mulheres que foram vítimas desta tortura. Em todo o mundo estima-se que o número de vítimas seja entre 100 a 140 milhões.

	Nalguns casos corta-se o clítoris, noutros os grandes e os pequenos lábios. Uma vez concretizada a mutilação é irreversível e se a vítima sobreviver, irá sofrer inúmeras consequências físicas e psicológicas. A curto, médio e longo prazo.

	Sofrimento na hora do corte e risco da SIDA 

	 

	Além do sofrimento atroz que a maioria delas sente no momento do corte, o doloroso processo de cicatrização da ferida é acompanhado com frequência de infecções, devido ao uso de utensílios contaminados, e dores ao urinar e defecar.

	 

	Incontinência urinária e infertilidade são outras das sequelas comuns.

	 

	O facto de serem usadas as mesmas facas ou lâminas para mutilar várias crianças acrescenta o risco de contrair o vírus da SIDA à extensa lista das consequências da mutilação.

	 

	Os bebés também sofrem 

	 

	 Além da mãe, também os recém-nascidos podem sofrer os efeitos nefastos da mutilação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa de mortalidade infantil é mais elevada em 55 por cento em mulheres que sofreram uma mutilação de tipo III (a infibulação, que consiste em fechar a abertura vaginal).

	 

	A África Oriental, onde prevalecem as excisões faraónicas, é a zona do globo com o maior índice de mortalidade de mulheres e bebés durante o parto.

	Um programa da autoria de Helena de Gouveia.

	Autora: Helena de Gouveia
	Editor: Johannes Beck</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>mutilação genital feminina, fanado, excisões, infibulação, África, Guiné-Bissau, clítoris, infertilidade, SIDA, parto</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 23 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mia Couto e a escrita como modo de vida</title>
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   <description>Falar de literatura em Moçambique na era pós-independência é falar quase sempre de Mia Couto. Em conversa com a Deutsche Welle, o autor conta o que significa para ele escrever e onde vai buscar inspiração.
	DW: Publica com muita frequência. Para si o que significa escrever?
	
	Mia Couto: Para mim é quase um modo de viver. Não me concebo a mim próprio, existindo, se não for por via dessa escrita. Desde menino que percebi que era tímido, e como tinha uma relação difícil com as coisas práticas refugiei-me no universo do sonho e da palavra e dos livros e de facto acabou por ser uma coisa que não resultou de uma capacidade, mas de uma certa incapacidade, inabilidade que eu tinha para ser como os outros meninos que  encontravam motivo de grande alegria na rua.
	
	DW: Quando liguei para si disse-me que escreve geralmente depois da 16 horas. Faz isso todos os dias?

	MC: Eu escrevo todos os dias, pode não ser exatamente a essa hora. Essa é a hora em normalmente saio do serviço, porque eu trabalho, tenho outra ocupação, normalmente sobram duas ou três horas. Se não escrevo a essa hora, escrevo à noite forçosamente, é uma disciplina que impus a mim próprio. Nem que seja para rescrever, porque há momentos em que não há inspiração, então eu rescrevo o que já fiz.
	
	DW: Tem sempre assuntos e coisas para escrever? Os temas não esgotam?

	
	MC: Quando estou a fabricar um livro acontece quase o contrário, eu deixo entrar tantos personagens, aquilo é uma espécie de caos e eu até tenho de me conter do ponto de vista de fechar portas a imaginação. Claro que quando acabo um livro fico num período que até penso &quot;agora acabou, não vou mais escrever, entrei no deserto&quot;, mas basta a vida tomar posse de mim e entregar-me ao convívio com outras pessoas que renasce sempre, e até agora renasceu sempre.
	
	DW: Muitos consideram a sua escrita como criativa. Onde busca essa criatividade?´

	 

	MC: É difícil ser eu próprio a explicar, porque isso não se explica. Mas uma das razões é o facto de eu vir da poesia. Eu trabalho na prosa, mas vim da poesia, e eu acho que continuo a considerar-me um poeta, um poeta conta história. Por outro lado, do ponto de vista da linguagem eu vivo num país que tem outras línguas, a língua portuguesa em Moçambique é apenas a língua oficial, também é a língua de cultura para muita gente.

	 

	Há aqui um caldeirão de misturas, muita gente fala Português vindo de outra língua e isso implica uma recriação social, não literária. O Português está a ser sujeito a este processo e para quem quer é um momento muito bonito, é um privilégio muito grande conviver com um momento histórico em que a língua portuguesa ainda está na língua de todos.
	
	DW: Quais são os seus escritores prediletos?

	 

	 MC: São muitos, é difícil dizer, eu como disse, venho da poesia, muitos deles vem da poesia e muitos deles são de língua portuguesa também, tenho no Brasil uma grande escola, os meus grandes mestres mostram lá.

	 

	Tive muitas marcas de outros como, por exemplo, eu trabalho muito o conto e fui marcado por Chekhov aquilo que a capacidade de não dar confiança a realidade, nós olhamos para a realidade como uma coisa que foi inventada, vem muito dos latino-americanos como Garcia Marquez, como Juan Rulfo. Então, eu sou o resultado de uma mistura grande.
	
	DW: Que trabalho seu o marcou mais?

	 

	MC: Talvez o &quot;Terra Sonâmbula&quot; que foi feito durante a guerra, feito numa situação difícil porque a guerra estava presente, havias colegas meus de profissão, eu era jornalista nessa altura, que morriam e eu acreditava que nessa altura não era capaz de fazer um livro sobre a guerra, era preciso vir a paz. Mas aconteceu ao contrário, o livro começou a visitar-me e comecei a ser inspirado mesmo antes do fim da guerra. Foi o único livro realmente que me custou a fazer, foi uma espécie de filho rebelde que tive.
	
	DW: Qual é o tema mais difícil de escrever?

	MC: Curiosamente o que me é difícil escrever é quando há uma cena de amor, um namoro, porque há uma grande facilidade em que isso se torne uma coisa brejeira. Entre ficar do lado bem comportado e o lado mal comportado ainda não sei como conduzir a escrita por essa via. Sempre que há uma cena em que um homem e uma mulher estão numa situação mais íntima, eu tenho grande dificuldade em escrever isso.
	
	DW: Se voltasse a nascer agora o que o Mia mudaria na sua vida?

	 

	MC: Eu vou fugir a resposta, porque eu acho que nasço várias vezes e nasço ainda hoje. É uma das razões que me faz nascer é  viver a vida dos meus personagens e tenho uma grande capacidade empatia com as pessoas. Eu desloco-me de mim mesmo para os outros com grande facilidade. Faço isso com grande prazer.

	 

	Sinto que nasço várias vezes, eu mudo muito e não era preciso nascer para mudar coisas. Mas se tivesse que nascer de novo eu não iria mudar nada por que a minha infância foi tão rica, tão mágica. Ela continua a ser uma espécie de caixa de tesouro onde vou buscar aquilo de que preciso.
	
	DW: Reconhece alguma maturidade ao longo desses anos?

	MC: Sim, nos primeiros livros eu queria mostrar tudo, queria fazer bonito. De qualquer maneira acho que tenho agora mais capacidade de contenção, acho que a maturidade é isso, eu sei-me conter mais. Posso saber que determinada coisa não é para agora, e na altura colocava tudo no livro. Esta capacidade de olhar criticamente o que estou a fazer no momento, que é um momento muito apaixonado e faço aquilo como se estivesse a fazer amor, é uma grande paixão escrever. E essa distância consigo fazê-la agora.
	
	DW: Qual o seu parecer sobre a divulgação da literatura moçambicana?

	MC: Acho que houve um momento em que ficamos prisioneiros de um grupo pequeno de autores, mas agora acho que a situação já está a mudar, estão a surgir nomes novos. Foi na literatura que mais sofremos o impacto da guerra.

	 

	Os nomes que são publicados regularmente são traduzidos e publicados no exterior são meia dúzia e isso é um risco, podemos adoecer, se pensarmos que isso é assim mesmo. Há uma possibilidade de sacudir esta situação e há novos nomes que vêm aí.

	 

	DW: os seus livros têm sido adaptados para filmes, para peças de teatro. Como é que se sente? 

	 

	 MC: Eu quase não vejo. Não no sentido negativo. Mas quando isso acontece eu procuro afastar-me. Porque essa outra obra tem que ter autonomia, tem que ter um outro registo, uma outra lógica. Se eu estiver presente, eu vou querer que aquilo seja o livro, prolongado e atirado para um outro contexto.

	 

	Acho que a minha sabedoria é afastar-me, e quando o produtor de teatro ou o cineasta me pede para eu estar presente, para eu dar algum apoio, eu faço-o. Mas faço como um escravo, como alguém que está ao serviço desse outro criador. O meu momento de criação já foi: foi o livro. Quando estou a ver um filme ou uma peça de teatro feita de um livro meu não vou com expectativa de reencontrar coisa nenhuma. Quero inclusivamente que seja uma coisa de um outro.

	 

	 

	Autora: Nádia Issufo

	Edição: Cristina Krippahl</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Mia Couto, Moçambique, escrita, literatura</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 23 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Mutilação Genital Feminina - parte 1: Os diferentes tipos</title>
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   <description>Enquanto estiver a ouvir este programa sessenta meninas serão mutiladas. Nesta série de programas falamos de mitos e das consequências associados a esta prática. Saiba quais são os diferentes tipos de FGM.
	Estima-se que entre 100 a 140 milhões de raparigas e mulheres em todo o mundo, maioritariamente em África, sofram as consequências da mutilação genital feminina: um acto brutal com consequências dramáticas para a saúde.

	 Existem muitas variações de mutilação genital feminina, também conhecida por FGM (do inglês, Female Genital Mutilation).

	Os quatro tipos da mutilação genital feminina

	Organização Mundial de Saúde estabeleceu quatro tipos principais:

	FGM de tipo 1, ou clitoridectomia, são todos os procedimentos que retiram o clítoris, parcial ou totalmente. A função do clítoris é dar prazer sexual à mulher.

	FGM de tipo 2, ou excisão, consiste em retirar não apenas o clítoris mas também os pequenos lábios (e por vezes também os grandes lábios);

	FGM de tipo 3, ou infibulação, que consiste em fechar a abertura vaginal. Pode ou não incluir a remoção do clítoris.

	FGM de tipo 4, nesta última categoria de FGM cabem todos os restantes tipos de mutilação que não têm qualquer objectivo médico, como perfurar, raspar ou queimar a zona genital.

	A mutilação genital feminina é mundialmente reconhecida como uma violação dos direitos humanos.

	Um programa da autoria de Débora Miranda com coordenação de Helena de Gouveia.

	*A música NO CUT usada neste programa foi gentilmente cedida pela MAA- Maasai Aid Association e pelos cantores Cartoon e Shamir.

	Autora: Helena de Gouveia
	Editor: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>mutilação genital feminina, FGM, clitoridectomia, excisão, infibulação, saúde, África, mitos</itunes:keywords>
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   <pubDate>Mon, 19 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>O brilho sujo dos diamantes angolanos - Entrevista com Rafael Marques</title>
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   <description>Impunidade, violência, crime e corrupção: assim se declina a exploração de diamantes em Angola. Os abusos nas Lundas são denunciados pelo jornalista angolano Rafael Marques em entrevista à Deutsche Welle
	O ativista dos Direitos Humanos, Rafael Marques, continua a ser uma voz atenta e crítica perante a impunidade que se vive na região diamantífera das Lundas, em Angola. Este jornalista angolano, que se tem dedicado à investigação nesta área há já vários anos, não se cala perante os crimes praticados pelas autoridades contra as populações locais.

	 

	Inquieta-se com a corrupção em Angola, mas também a situação dos garimpeiros ilegais, que são maltratados e assassinados nas explorações de diamantes, com a cumplicidade de empresas privadas, militares e companhias de segurança. 

	 

	Deutsche Welle: Se olharmos para a história da exploração dos diamantes em Angola é possível fazer uma equiparação a aquilo que é a temática do filme “Diamantes de Sangue”, de Danny Archer?

	 

	Rafael Marques: Eu acho que é um filme que de certo modo retrata uma realidade numa perspetiva ocidental, claro está, mas é uma realidade que pode ser vista em Angola.

	 

	Neste caso não de atrocidades cometidas por um grupo rebelde, mas pelo próprio Governo. E até em situações em que o Governo contrata também especialistas estrangeiros para aperfeiçoar os seus métodos de tortura e de matança daquelas populações radicadas nas áreas mineiras.

	 

	DW: O título do seu livro “Diamantes de Sangue…”, que parece recorrer ao filme, tem a pretensão também de despertar consciências sobre o caso angolano?

	 

	RM: É simplesmente o uso de um conceito apadrinhado pelas Nações Unidas, que é o conceito de diamantes de conflito também conhecidos como Diamantes de Sangue. Sabe que as Nações Unidas apoiaram a criação do processo de Kimberley destinado a impedir a entrada no mercado internacional de diamantes provenientes de áreas em conflito ou extraídos para manutenção de conflitos por parte de movimentos rebeldes.

	 

	Só que tem havido uma evolução contraditória na definição deste conceito do papel do processo de Kimberley. Por exemplo, o Zimbabué foi sancionado pelo processo de Kimberley pelas Nações Unidas, não pode vender diamantes de Marange por violação dos direitos humanos. Então há aqui um caso específico de um governo que sofre uma sanção.

	 

	No caso de Angola é o contrário, quanto mais o Governo comete abusos mais ele recebe apoios para estabelecer parcerias na região no sentido de abafar esta realidade. Isso tem acontecido muito até com organismos doadores internacionais.

	 

	A corrupção é a essência do regime 

	 

	DW: Pelo conhecimento que tem da realidade angolana, a corrupção segue um ciclo ininterrupto ou as denúncias que tem feito tem permitido travar uma eventual tendência de crescimento?

	 

	RM: Penso que nesta fase já não é possível travar a corrupção porque ela é hoje a essência do próprio regime. E quanto mais se sentir ameaçado mais usará a corrupção para tentar manter-se no poder.

	 

	Quer dizer, a corrupção é, por um lado, o mecanismo principal de aliciamento de setores da sociedade para legitimar o poder e, por outro lado, também é o principal pomo de discórdia na sociedade angolana. Pomo que eventualmente até levará a um fim triste este mesmo regime na sua configuração atual de usurpador dos recursos do Estado para enriquecimento ilícito de uma mão cheia de dirigentes e suas famílias.

	 

	DW: Olhando concretamente para a situação nas Lundas, a região continuará a ser o foco central das suas denúncias?

	 

	RM: É um dever imperativo de denunciar estes abusos para que aquela população nas Lundas também conheça a paz como no resto de Angola.

	 

	Impunidade e silêncio são a norma

	 

	DW: Falas nas suas investigações de escravatura, do envolvimento de companhias de segurança, do silêncio das instituições como, por exemplo, do Ministério da Defesa e de empresas com interesses nos diamantes. Mas, também fala do envolvimento de cidadãos angolanos, russos, de instituições portuguesas e britânicas. Qual é a realidade hoje?

	 

	RM: Os generais usam o seu poder oficial para estabelecer acordos de parceria com empresas estrangeiras para no sentido de garantir o aumento das suas fortunas de forma ilícita e facilitar que estas empresas operem à margem da lei e com total impunidade. É o que está a acontecer.

	 

	DW: As autoridades continuam a manter silêncio em relação ao que se passa nas Lundas?

	 

	RM: Absolutamente. Silêncio e cumplicidade do processo de Kimberley das Nações Unidas. Porque a ONU tem responsabilidades acrescidas por ter apadrinhado a definição dos diamantes de conflito – e até porque durante muitos anos as Nações Unidas tiveram um painel sobre os diamantes em Angola para impedir que a UNITA continuasse a usar a extração de diamantes para financiar a guerra.

	 

	Mas não há nas convenções internacionais nenhum articulado que permita ou que dê legitimidade a um Governo para maltratar e matar o seu próprio povo. É isso que é preciso discutir, porque não é uma questão de soberania. Ultrapassa a questão da soberania quando há um regime que diariamente exercita o seu poder arbitrário violando a forma mais elementar da dignidade humana e do respeito pela vida.

	 

	DW: Diz que o que se passa nas Lundas é reflexo da política executada em Luanda. Continua a sofrer pressão política pelas denúncias que faz?

	 

	RM: Eu não me preocupo com as pressões que sofro porque tenho a consciência tranquila. Estou a cumprir com um dever profissional, com um dever cívico. Havendo dúvidas sobre aquilo que escrevo existem os tribunais para dirimir esta questão. E mais: eu não posso aceitar esta ideia de que como cidadão, por falar a verdade, devo ter medo. Porquê? Porque há uma razão muito específica. O silêncio daquela população que não tem voz não a impediu de ser morta, de ser torturada diariamente.

	 

	Então, em que circunstância o meu silêncio perante essas atrocidades contribuirá para alguma coisa. Eventualmente até pode contribuir para que eu tenha mais camisas ou mais calças, carros…, mas não é isso que me preocupa na vida. E para isso não preciso vender o sangue angolano para ter dinheiro no bolso.

	 

	DW: Então, tem clara consciência que as suas denúncias têm contribuído para alterar este estado de coisas na sociedade angolana?

	 

	RM: Como cidadão, como angolano, tenho de exercer a cidadania todos os dias., quaisquer que sejam as circunstâncias. Como profissional sou obrigado a agir de forma ética todos os dias, independentemente das circunstâncias, e é isso que é importante afirmar entre os angolanos.

	 

	Há pessoas que me disseram: «você há quatro, cinco anos ou mais que fala das Lundas, mas porquê sempre as Lundas?» E eu pergunto, porquê roubar sempre os diamantes do povo angolano? Porquê maltratar sempre o povo nas Lundas? Desde a época colonial que se vem fazendo isso. Então, os que fazem mal podem fazê-lo todos os dias e aqueles que procuram corrigir a situação só podem fazê-lo de forma pontual?

	 

	 

	 

	DW: Para isso a sua formação como antropólogo e jornalista tem contribuído muito para fundamentar as denúncias?

	 

	RM: É útil. Eu coloco o meu modesto conhecimento nessas áreas a serviço da sociedade, ao serviço da comunidade da qual faço parte. Eu quero através deste trabalho contribuir também para que a investigação em Angola seja algo constante, quotidiano, nas ações dos jornalistas, dos ativistas e de todos aqueles que procuram participar e melhorar a forma de gestão da República e garantir que Angola tenha um futuro diferente, onde o conhecimento permita a proteção dos mais desfavorecidos.

	 

	E às vezes faz-se passar a ideia em Angola que quando um indivíduo tem instrução não deve mais preocupar-se com os pobres ou com aqueles que não têm instrução. Eu penso o contrário, porque o desenvolvimento faz-se quando aqueles que têm um pouco mais de visão e conhecimento dão as suas mãos para ajudar os outros e é assim que em Angola se poderá construir uma sociedade diferente que valorize acima de tudo o ser humano, seja ele quem for.

	 

	DW: Os Direitos Humanos e a Liberdade de Expressão estão longe de ser respeitados em Angola?

	 

	RM: Estão longe de ser respeitados porque os cidadãos continuam à espera que seja o Governo por iniciativa própria a respeitar tais valores. É um regime que está no poder há 32 anos, não tem cultura de tolerância, não tem cultura de respeito por nada, exceto a arbitrariedade do poder. Quer dizer, não é uma questão de vontade de quem está no Governo, é uma questão inerente a cada angolano, é constitucional. Estes direitos devem ser observados a todo o tempo.

	 

	Autor: João Carlos (Lisboa)

	Edição: Helena de Gouveia</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Angola, diamantes, Lundas, Rafael Marques, Diamantes de Sangue, garimpeiros, processo de Kimberley, corrupção, direitos humanos</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sat, 17 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Terrorismo em África - parte 2 - &quot;Mujahedin&quot;: braço da Al Qaida no Magreb diz combater &quot;em nome de Alá&quot;</title>
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   <description>Com atentados suicidas e à bomba, os mujahedin pretendem derrubar os regimes da sua região para fundar um estado islâmico que englobaria cinco países do norte de África: Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia. 
	Para muitos argelinos, que viveram a guerra civil entre 1992 e 2002, o Ramadão não é apenas um mês de consciencialização da sua fé nem é apenas o mês de jejum. Este é também um mês de temor.

	 

	É precisamente durante o Ramadão que os atentados terroristas costumam ser mais freqüentes na Argélia. Os autores: membros do braço da rede terrorista Al Qaida no Magreb islâmico. Em muitos casos, é este grupo que reivindica os atentados e apresenta os autores em fóruns na internet.

	 

	Muitas vítimas na Argélia

	 

	Só na Argélia morreram centenas de pessoas vítimas de atentados terroristas nos últimos quatro anos. No país são frequentes confrontos violentos entre as forças de segurança e os combatentes do braço da Al Qaida no Magreb. Normalmente atacam alvos estatais como o exército e a polícia ou ainda destinos turísticos.

	 

	O facto de muitos civis morrerem nesses atentados é legitimado pela chamada jihad, a guerra dita santa contra os ditos infiéis. Assim justificam os mujahedin, os combatentes, os seus atentados terroristas. Mas eles não se vêem como terroristas – antes como mártires.

	 

	Um trabalho da autoria de Chamselassil Ayari apresentado por Marta Barroso.

	 

	Autora: Marta Barroso

	Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>terrorismo em África, mujahedin, Magreb, Argélia, Al Qaida, Norte de África, mártires, Ramadão</itunes:keywords>
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   <pubDate>Thu, 8 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Djenaba - a única mulher a vender jornais em Dakar, capital do Senegal</title>
   <link>http://www.dw.de/dw/article/0,,6126005,00.html?maca=bra-podcast-pt-contraste-3058-xml-mrss</link>
   <description>Djenaba, apesar dos seus 37 anos de idade, à primeira vista aparenta ser uma adolescente. É de baixa estatura e o seu corpo é franzino, talvez fraco demais para o duro dia a dia dum ardina. 
	 Djenaba vive em Thiaroye, um bairro pobre na periferia de Dakar. É uma das mulheres senegalesas que – com êxito – tentou ultrapassar as difículdades em que se encontrava, procurando um trabalho normalmente executado por homens.

	Djenaba não teve a oportunidade de estudar. Aos doze anos viu-se obrigada a abandonar a escola, por falta de meios. No Senegal o desemprego atinge mais de 40 por cento da população. Muitos jovens optam por abandonar os estudos e trabalhar no setor informal. As mulheres são particularmente atingidas pelo problema e o Estado senegalês financia algumas iniciativas, suscetíveis de inverter a situação: Destaque para os cursos de alfabetização de mulheres, financiados pelo banco islâmico de desenvolvimento e pelo Ministério da igualdade.

	Uma co-produção de Codou Loume da Radio Oxyjeunes de Dakar e de Christine Harjes da Deutsche Welle, apresentado por António Cascais.

	Autor: António Cascais
	Edição: Johannes Beck</description>
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   <pubDate>Sat, 3 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Pessoas cuja vida mudou no dia 11 de Setembro de 2001 - parte 5 - Como mudou a vida em Cabul, capital do Afeganistão?</title>
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   <description>Quando o regime talibã foi derrubado, em 2001, Cabul tinha cerca de 600.000 habitantes. Hoje são cerca de cinco milhões. Os bairros populares, como o de Karte Seh, são os que mais alterações sofreram desde 2001. O bairro de Karte Seh é um autêntico estaleiro de obras. 
Isso é um bom sinal para os habitantes deste bairro popular de Kabul: onde há construção, há empregos, e onde há empregos há dinheiro e novos investimentos. 
Haji Murad Ali é dono duma pastelaria. Ele lembra-se muito bem como era a vida antes de 2001. Era tudo proibido, desporto, música, filmes, certas roupas, certas festas tradicionais. 
Em 2001 tudo mudou - graças a Alá, conta Haji Murad Ali. Os atentados de 11 de Setembro em Nova Iorque inicialmente não deram muito que falar no Afgenistão, lembra-se Ali. Mas olhando para trás foi uma data muito importante, foi uma viragem para todo o mundo e sobretudo para o Afeganistão. 
As universidades de Cabul, hoje estão cheias de estudantes, homens e mulheres. Antes de 2001 as mulheres não podiam estudar. Muitas nem sequer podiam sair de casa. Isso mudou, mas apenas na capital. Nas províncias as mudanças ainda estão muito atrasadas, lembra uma estudante universitária. 
Neste Contraste da autoria de Martin Gerner a DW faz o retrato da capital afegã, 10 anos depois do 11 de Setembro. A apresentação é de António Cascais. 
Autores: António Cascais
Edição: Johannes Beck</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
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   <pubDate>Fri, 26 Aug 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Terrorismo em África - parte 1 - &quot;Boko Haram&quot;: fundamentalistas islâmicos espalham o terror no norte da Nigéria</title>
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   <description>Maiduguri, capital do Estado de Borno, parece uma cidade sitiada: milhares de soldados e polícias controlam estradas, abrem as malas dos automóveis e revistam casas de supeitos. Mas os ataques terroristas continuam.
	 O grupo terrorista &quot;Boko haram&quot; foi fundado em 2002 por Mohammed Yussuf, um fundamentalista islâmico que - antes de ser morto pela polícia - começara a pregar contra a influência do ocidente sobre a juventude muçulmana no norte da Nigéria. Com o seu discurso radical Yussuf conseguiu reunir muitos jovens à sua volta, que continuam a espalhar o terror no norte do país. &quot;Boko haram&quot;, no idioma hauça, significa &quot;o ensino moderno é pecado&quot;. O que os adeptos deste grupo radical querem é - portanto - uma sociedade livre de influências ocidentais e que se concentre nos valores fundamentais do islão e do alcorão. Observadores dizem que os combatentes do boko haram constituem uma séria ameaça para a paz e a unidade da Nigéria.

	Uma reportagem de Thomas Mösch (DW), apresentada por António Cascais.

	Autor: António Cascais
	Edição: Bettina Riffel</description>
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   <itunes:keywords>terrorismo em África, Boko Haram, fundamentalistas islâmicos, Nigéria</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 26 Aug 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Pessoas cuja vida mudou no dia 11 de Setembro de 2001 - parte 4 - Representantes da comunidade muçulmana nos Estados Unidos</title>
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   <description>Os ataques de 11 de Setembro tiveram repercussões entre os cerca de 250 mil muçulmanos norte-americanos. Alguns deles passaram a sofrer pressões e discriminações, que antes dos antentados não sofriam.  Samira Hussein vive em Rockville, no Estado de Maryland, é muçulmana oriunda da Palestina, mas já vive nos Estados Unidos desde 1972, quando ainda era criança. 
Casou, teve filhos e rápidamente conquistou o respeito dos vizinhos, sendo eles muçulmanos ou não. Samira conta, no entanto, que - depois dos atentados de 11 de Setembro - começaram a surgir problemas que antes não existiam. 
Tufail Ahmad é outro muçulmano, cidadão dos Estados Unidos da América: nasceu na Índia, viveu alguns anos no Paquistão e emigrou em 1973 para a América, onde construiu uma empresa de transportes marítimos. Hoje Tufail empenha-se contra o terrorismo dos islamistas radicais e a favor de um melhor entendimento mútuo entre muçulmanos e não muçulmanos nos Estados Unidos. 
Neste Contraste da autoria de Christina Bergmann e apresentado por António Cascais, a DW retrata alguns muçulmanos norte-americanos. 
Autor: António Cascais
Edição: António Rocha</description>
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   <pubDate>Fri, 19 Aug 2011 12:59:00 GMT</pubDate>
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   <title>Pessoas cuja vida mudou no dia 11 de Setembro de 2001 - parte 3 - Missão Afeganistão: pôr fim ao abrigo de terroristas</title>
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   <description>Desde os ataques às torres gémeas em Nova Iorque em 2001, o medo do terrorismo influenciou muitas vidas no mundo. Um exemplo é Fritz Urbach, soldado da Bundeswehr, que tem vindo a ser destacado para o Afeganistão.Fritz Urbach: 52 anos, casado, 3 filhos. Desde 1997, trabalha no exército alemão – a Bundeswehr. No dia dos ataques terroristas em Nova Iorque, a 11 de setembro de 2001, Urbach estava ainda no seu quartel na cidade alemã de Koblenz. Dois anos mais tarde, foi destacado pela primeira vez para o Afeganistão. Para Fritz Urbach e a sua família muito se alterou: nos anos que se seguiram, o oficial foi enviado diversas vezes para aquele país. Ao todo, esteve mais de dez vezes na região das montanhas do Hindukush, na fronteira com o Paquistão. 

 Ao longo do tempo, tornou-se claro que não seria possível concretizar os objetivos iniciais – sobretudo a instauração de uma democracia estável no Afeganistão. Para Fritz Urbach, mesmo depois da retirada das tropas internacionais do Afeganistao, o país poderá tornar-se novamente num centro de atividades terroristas. Mas, para já, diz Urbach, o objetivo é ajudar os afegãos a construir uma segurança duradoura e uma liderança estável no seu país. Só assim será possível deixar lentamente o Afeganistão.

Um Contraste da autoria de Daniel Scheschkewitz, apresentado por Marta Barroso.

Autora: Marta BarrosoEdição: António Rocha</description>
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   <pubDate>Fri, 12 Aug 2011 16:01:00 GMT</pubDate>
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   <title>Pessoas cuja vida mudou no dia 11 de Setembro de 2001 - parte 2 - Um dentista iraquiano e um jornalista afegão partilham a sua história</title>
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   <description>Os ataques de 11 de setembro tiveram repercussão em países tão distantes como o Afeganistão e o Iraque. Com a retirada das tropas ocidentais do terreno aumentam as preocupações de quem fica. E o terror continua. Aqeel Ibrahim Lazim recebeu a notícia dos ataques terroristas no meio dos preparativos o seu casamento. O dentista de Basra, Iraque, então recém-saído da faculdade, discutia com sua noiva os detalhes da cerimónia, quando lhe entraram sala adentro, via televisão, as imagens das Twin Towers. O mundo, tal como o tinhámos conhecido, acabou naquele momento. Ainda hoje os filhos de Lazim têm medo. Uma reportagem de Munaf Al-Saydy.
9 de Setembro de 2001. Talokan, no norte do Afeganistão. 
Fahim Dashty está sentado no chão. Ao lado dele, dois jornalistas. Terroristas disfarçados, ao serviço da AlQaeda, como se viria a descobrir mais tarde. Dashty sobreviveu ao atentado contra o líder rebelde Massoud e tornou-se num defensor da liberdade de imprensa. Uma reportagem de Martin Gerner, apresentada por Helena de Gouveia.

Autora: Helena de Gouveia
Edição: Cristina Krippahl</description>
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   <pubDate>Fri, 5 Aug 2011 13:57:00 GMT</pubDate>
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   <title>Pessoas cuja vida mudou no dia 11 de Setembro de 2001 - parte 1 - Como (sobre)viveu Glen Klein, polícia de Nova Iorque?</title>
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   <description>Glein Klein continua angustiado: não consegue esquecer os colegas da sua unidade que foram soterrados nos escombros das torres gémeas de Nova Iorque. Os médicos dizem que ele sofre de síndrome pós-traumático. No dia 11 de Setembro de 2001, Glen Klein, trabalhava como agente de polícia numa unidade especial da polícia de Nova Iorque. Depois dos atentados, Glen Klein, não teve descanço. Pelo contrário: trabalhou praticamente dia e noite na zona que mais tarde viria a ser denominada &quot;Ground Zero&quot;, controlando a remoção dos escombros da área. 
Hoje, dez anos depois, Glen Klein, é reformado e vive na ilha de Long Island, a cerca de hora e meia de Nova Iorque. 
Ainda luta com os problemas psicológicos causados pelos ataques do 11 de Setembro de 2001.
Um perfil da autoria de Christina Bergmann, apresentado por António Cascais.
Autor: António CascaisEdição: Johannes Beck</description>
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   <pubDate>Fri, 29 Jul 2011 18:32:00 GMT</pubDate>
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   <title>Benim: Ecoturismo ao serviço da população</title>
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   <description>No Benim, na África Ocidental, os habitantes já perceberam que o turismo é um meio de subsistência que pode contribuir para a redução da pobreza. No Parque Nacional de Pendjari, o ecoturismo trouxe muitas mudanças. 
	A agricultura domina 80% do território do Benim. No entanto, a vida é difícil para os agricultores. O turismo deverá, por isso, abrir portas para novas fontes de rendimento. Ao mesmo tempo, a Natureza também deve ser protegida. Ecoturismo é a palavra-chave.

	 

	No Parque Nacional de Pendjari, no Norte do país, ecoturismo é sinónimo de impacto mínimo sobre a Natureza, mas também significa mostrar a Natureza tal como ela é. O Parque de Pendjari é uma das reservas naturais mais ricas da África Ocidental. A extensa área, com 275 mil hectares, foi classificada em 1986 pela UNESCO como reserva da biosfera.

	 

	Existe um programa para a conservação e gestão dos recursos naturais da região de Pendjari. O programa é apoiado por organizações não governamentais alemãs como a Agência Alemã de Cooperação Técnica (GIZ). Juntos, os parceiros de cooperação do Benim e da Alemanha querem mostrar à população local as vantagens do uso consciente e eficaz da sua localização geográfica.

	 

	Uma co-produção da autoria de Godjouri Bello Allou da Radio Deeman Parakou e de Yann Durand da Deutsche Welle, apresentada por Madalena Sampaio.

	 

	Autora: Madalena Sampaio

	Edição: Johannes Beck</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Benim, ecoturismo, Parque Nacional de Pendjari, Agência Alemã de Cooperação Técnica, reservas naturais, natureza, Alemanha</itunes:keywords>
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   <pubDate>Sat, 23 Jul 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Benim: crescimento demográfico ultrapassa crescimento económico</title>
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   <description>No Benim, o crescimento económico de cerca de 4%, registado nos últimos anos, não acompanha o crescimento demográfico. Lá, mais de metade dos quase oito milhões de habitantes vive com menos de um dólar por dia. 
	Enquanto as sociedades nos países industrializados estão a minguar, África regista as taxas de natalidade mais altas do mundo. Prevê-se que, até ao ano de 2050, a população do continente duplique, atingindo cerca de 2 mil milhões de habitantes. Mas já hoje três em cada quatro africanos vivem abaixo da linha de pobreza, com menos de dois dólares diários, um em cada três passa fome.

	 

	Pierre Kploka tem 60 anos, é agricultor e curandeiro. Vive com as suas três mulheres e os 18 filhos em Gnassata, uma aldeia a cerca de 140km de Cotonou, a capital do Benim. Para alimentar e vestir a família, Kploka necessitaria de uma quantia equivalente a pouco mais de quatro euros diários. Mas essa soma ele não tem. Contudo, para Kploka, esta é uma situação normal.

	 

	Ouça nesta reportagem como o número de filhos que cada família decide ter determina, em parte, o desenvolvimento de um país.

	 

	Um trabalho de Ute Schaeffer e Fréjus Quenum, apresentado por Marta Barroso.

	 

	Autora: Marta Barroso
	Edição: Marcio Pessôa</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Benim, crescimento demográfico, crescimento económico, natalidade, pobreza</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 22 Jul 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Futebol feminino: popularidade da modalidade em movimento ascendente</title>
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   <description>Os organizadores do campeonato do mundo de futebol feminino, que decorre na Alemanha até ao dia 17 de Julho, tudo fizeram para que a modalidade ganhe popularidade e cada vez mais adeptos. Será que os esforços resultarão?Os jogos da seleção alemã têm atraido muitos espectadores. O primeiro jogo da Alemanha foi até agora o que teve mais assistência: 73 000 espectadores viram ao vivo, no Estádio Olímpico de Berlim, a primeira partida contra o Canadá. Mas os jogos dos campeonatos nacionais ainda estão longe de despertar o interesse das massas. 
Depois desta copa do mundo, o futebol feminino será uma modalidade mais popular, atrairá mais patrocinadores e – por conseguinte - movimentará mais meios e dinheiro. É esse, pelo menos, o desejo dos funcionários da federação internacional do futebol, FIFA. Será que estes objetivos serão atingidos? 
O Contraste de Silke Wünsch, apresentado por António Cascais, procura resposta a esta pergunta.

Autor: António Cascais
Edição: Cristina Krippahl</description>
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   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
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   <pubDate>Fri, 8 Jul 2011 15:43:00 GMT</pubDate>
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   <title>Sudão do Sul: o medo da insegurança acompanha o processo de independência</title>
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   <description>O Sul do Sudão aproxima-se da independência, prevista para 9 de Julho de 2011. Mas a região vive ainda num clima de medo e muitas comunidades temem atos de violência. Os ataques do LRA são uma das maiores ameaças.
	A situação de segurança é muito frágil, sobretudo em zonas fronteiriças, nas quais continuam ativas as milícias do LRA, Lord&#039;s Resistance Army, as &quot;forças de resistência do Senhor&quot;.

	 

	 As forças de resistência do Senhor, LRA, milícias baseadas no norte do Uganda lideradas por Joseph Kony, atuam em toda a região que - a par do Uganda - engloba partes do sul do Sudão, da República Centro Africana, assim como da República Democrática do Congo.

	 

	 Há mais de 20 anos que o LRA aterroriza as populações locais, sequestrando crianças e mulheres, forçando-as a servir como soldados ou escravas sexuais. Foi o que aconteceu também a Charles, de 13 anos de idade, mas o rapaz conseguiu escapar: o pequeno Charles veio parar à cidade de Yambio, onde recebeu tratamento médico e psicológico num denominado &quot;centro de trânsição para crianças raptadas&quot;.

	 Grace, de 12 anos de idade, permaneceu durante mais de um ano sob captura da LRA, tendo sido violada, agredida e submetida a trabalhos forçados. Mais tarde, Grace foi liberta e entregue à sua família, mas está traumatizada. 

	 

	Ouçam a seguinte reportagem sobre o clima de terror perpetrado - no Sul do Sudão - pelas milícias da LRA; um trabalho de autoria de Guy Degen, da Deutsche Welle, apresentado por António Cascais.</description>
   <category>Contraste</category>
   <itunes:author>DW-WORLD.DE | Deutsche Welle</itunes:author>
   <itunes:keywords>Sudão, Sul, independência, violência, LRA, Lord&#039;s Resistance Army, forças de resistência do Senhor, Joseph Kony,</itunes:keywords>
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   <pubDate>Fri, 1 Jul 2011 00:00:00 GMT</pubDate>
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   <title>Futebol feminino: estrelas alemãs no campeonato do mundo (II)</title>
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   <description>Ouçam o segundo episódio da nossa série sobre as estrelas do futebol feminino alemão: perfis das centro campistas Simone Laudehr e Kim Kulig, assim como das atacantes Alexandra Popp e Inka Grings.É já no domingo, 26 de Junho, que a seleção da Alemanha vai disputar, no Estádio Olímpico de Berlim, o jogo inaugural desta Copa do Mundo, contra a seleção do Canadá. A Deutsche Welle apresenta mais quatro &quot;pilares&quot; deste grupo ambicioso que tudo fará para defender o título conquistado há quatro anos na China. 
 Simone Laudehr: corre, corre e não pára 
Simone Laudehr é provavelmente a futebolista alemã que mais corre. É talvez por isso que as suas colegas a apelidam de &quot;devoradora de quilómetros&quot;. E Simone Laudehr concorda com a alcunha.
Kim Kulig: jovem e talentosa
Kim Kulig, também centro campista, é uma das jogadoras mais jovens e talentosas da seleção alemã. Apesar da sua juventude é uma peça insubstituivel no xadrez da treinadora Silvia Neid.
Alexandra Popp: &quot;correr, chutar, marcar...&quot;
Alexandra Popp é uma jovem e promissora atacante: em 2010 ainda jogava na seleção júnior para jogadoras com menos de 20 anos. No mundial júnior marcou nada menos de 10 golos, revelou-se a grande estrela e ajudou a seleção alemã a vencer o torneio. Agora Alexandra Popp é uma das grandes esperanças para o campeonato sénior que se avizinha. Alexandra é uma jogadora descomplexada. O seu slogan é: correr, chutar, marcar.
 Inka Grings: experiência e ambição
Inka Grings é uma atacante bastante mais experiente que Alexandra Popp. Ninguém mais na histório do futebol feminino alemão marcou mais golos pela seleção alemã que Inka Grings, de 32 anos de idade. Uma vez chegou mesmo a marcar 20 golos num só jogo. Venceu várias botas de ouro, campeonatos da Europa em 2005 e 2009, e três títulos de jogadora do ano.</description>
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   <pubDate>Fri, 24 Jun 2011 19:44:00 GMT</pubDate>
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